14
Set
A incerteza sobre o Super-Homem
Vamos começar esse post escutando “Superman”, do rapper (desaparecido) Eminem.
Eu não tenho dúvidas: ao lado de Batman, Super-Homem é um dos nomes mais relevantes do Universo DC. Sua capa vermelha e uniforme azul inspira gerações desde o final da década de 30. Até aqui, tudo é seguramente óbvio. Trivial.
Porém, uma incerteza rompe este cenário tranqüilo: fora do território das HQs, quão relevante o Homem de Aço está sendo nesta geração?
Assim como vocês, eu sou devoto do último homem de Krypton, mas observo que na cultura pop contemporânea, ele está cedendo espaço para figuras como Wolverine, Homem Aranha e o próprio Batman.
Eis aqui algumas hipóteses desta teoria conspiratória:
- Wolverine: em 1939, os autores defenderam, nas páginas dos quadrinhos, a possibilidade de um futuro povoado por Super-Homens, alegando que as formigas possuíam enorme força e o impacto dos saltos dos gafanhotos poderiam ser potencializados e transformados em vôo.
É claro que estamos tratando de um contexto de cerca de 70 anos atrás, dentro do apelo lúdico e puro da Era de Ouro dos Quadrinhos. Wolverine, por sua vez, dialoga com a realidade atual por ser um mutante fruto de experimentos com adamantium. É algo que reforça toda a discussão sobre ética e limites que a ciência moderna pode alcançar, uma vez que assuntos como células-tronco, alteração de DNA e clonagem tomam as páginas de ensaios científicos.
E Wolverines prontos para mostrar as garras metálicas sem necessidade aparente são mais fáceis de encontrar por aí. É só observar comportamentos durante horários em que o trânsito está congestionado. Aparecem vários, quase simultaneamente. E muitas vezes deixam marcas em forma de buzinas ensurdecedoras e palavrões impronunciáveis no Com Limão.
- Homem Aranha: por mais que possamos entender a tristeza extraterrestre de Clark ao ver o pôr-do-sol avermelhado no horizonte, a solidão e culpa que Peter Parker carrega é essencialmente humana. A inadequação de Super-Homem tem a motivação de quem está se adaptando a uma nova realidade, a uma nova comunidade (terráqueos).
A inadequação de Peter não tem motivos que a justifique. Ele é incompreendido pela comunidade da qual faz parte naturalmente. O senso de incompreensão que Peter está submetido é mais fácil de percebermos e solidarizarmos.
- Batman: Bruce combate o crime em resposta ao sofrimento imposto em sua infância, em decorrência do assassinato dos seus pais: vingança. Clark foi acolhido por camponeses e defende os humanos como, diríamos, por gratidão à espécie que o recebeu. Em tempos de Gil Rulgai, Isabela Nardoni, Bin Laden e George Bush, a dor da vingança está mais exposta, popularizada e dialoga com maior velocidade nos noticiários diariamente.
Em parte, isso ajuda a explicar um Batman que detonou as bilheterias dos cinemas enfrentando um Coringa anárquico, inconseqüente e terrorista comparado com a recepção morna em relação ao roteiro romântico e da presença de um Lex Luthor sóbrio, inteligente e previsível de Superman Returns. Não acredito que o Coringa teria tanta projeção como tem hoje se fosse retratado nas telas como um palhaço, cuja arma fosse um pó para fazer rir.
Um momento! Super-Homem conta um imprescindível trunfo: ele foi criado como nós, mas jamais será um terráqueo. Sua proteção causa admiração porque é fruto também de uma necessidade de aceitação, de pertencer a um grupo, a uma tribo. E isso todos nós fazemos: buscamos nos reunir com nossos semelhantes, seja através do estilo musical, da escolha acadêmica ou blog predileto.
Esse anseio por associação torna o Homem de Aço tão humano que o aproxima e mistura sua personalidade super poderosa com cada um de nós.
Minhas fichas estão todas apostadas no importante papel que Super-Homem está desempenhando na saga Crise Final. Por isso, não entrego a vocês hoje uma conclusão certeira e segura. Entrego a vocês a sugestão de um levante em prol da relevância do herói na atualidade.


























14 de Setembro de 2008 às 21:12
Engraçado… eu tava ouvindo a música “Cartoon Heroes” do aqua quando entrei aqui! =D
Eu ainda cho que é por quê ninguém simpatizou com a tanguinha e o pega-rapaz. o/
Mas no fim, os heróis não são tão somente uma tentativa nossa de suprir carências próprias, físicas e morais? Quem não quer sair voando por aí, pular mais alto que todos, nadar mais rápido que o Michael Phelps, etc?
Como falou, acho que muito mais gente se identifica com personagens mais humanos (o homem aranha vive se lascando! é o rei!) por isso.
Adoro quadrinhos, de fato acho uma arte sem igual, mas acredito que o tempo desses tipos de heróis já esteja passando, não sei. Acho que as pessoas precisam é acreditar mais em si mesmas que em heróis, pois repare, parece que todos estamos esperando alguém vir e resolver tudo. Ué, resolva você, super homem!
Dêem bom dia pro motorista de ônibus. Usem suas super-forças para levantar as cadeiras para a faxineira do seu trabalho (que talvez nem pra ela você dê bom dia). Use a super-velocidade e apanhe aquela sacola-plástica que o cara jogou no chão antes que ela entupa uma boca-de-lobo e ali cresça um monstruoso entulho e ataque a todos os civis. Use sua super-audição e aprenda a escutar (e entender) quem está perto de você (e quem gosta de você principalmente!).
Ora bolas! Então o sujeito de tanguinha poderia só ser seu amigo, ao invés de ter que resolver tudo pra mim né? O coitado mal para pra ir no banheiro, tsc, tsc! Bem mais simples, certo?
Aliás, alguém conhece uma mulher gato pra me apresentar? =)
14 de Setembro de 2008 às 22:25
é só uma HQ ! a humanidade realmente necessita suprir sua falta de “poderes” criando histórias fantásticas e que ao mesmo tempo estejam tão proximas de nós!
realmente os desenhistas e escritores evoluiram com a sociedade e estão preocupados em passar uma mensagem nas suas HQ´s……… agora galera vivam a vida!!!! não fiquem decifrando mensagens e se nostalgiando e colecionando revistas (LEIAM…. apenas leiam) deixem o lado direito do cerebro funcionar ( se alguem não souber o que significa prestem mais atençao a vida ) já é um bom começo !
15 de Setembro de 2008 às 07:05
Raindrops keep falling on my heaaaaddddddddddd… tchu tchu tchuu ruuuuuuuuuuuu… o/
15 de Setembro de 2008 às 16:26
Também concordo com a ideia de que nós nos identificamos mais com persenagens mais humanos. Quem nunca se culpou por algo que aconteceu, mas não tinha sido ele que fez o “algo”. É o mesmo com o Homem Aranha, ele se culpa(e sempre se culpará) pela morte de seu tio e de Gwen.
And just like the guy….Whose feet are too big for his bed
16 de Setembro de 2008 às 12:49
é… existe uma questão de transferência pessoal sim, ou seja, nós nos identificamos com as alegrias e tristezas dos heróis “mais” humanos. mas acho que o superman tem outros dois problemas:
1– INVENCIBILIDADE: na boa… o kr é invencível. se algum de vcs já leu a terceira guerra mundial da dc, onde ele se prepara para luat contra o imperiex, sabe q o superman q vemos atualmente é um arremedo das possibilidades do herói. graças à magia e à kriptonita (sempre mal utilizada nas histórias), ainda podemos ver o super se dando mal. o resto é rebaixamento dos verdadeiros poderes do herói.
2– AMERICANISMO: não podemos nos esquecer que o superman é responsável por um imenso patriotismo na época das guerras mundiais (as de verdade). a marvel soube mexer com seu ícone patriótico: o matou! a dc ainda não soube retirar esse peso de seu herói. e todos sabem que os EUA não são mais tão queridos quanto antigamente…
17 de Setembro de 2008 às 10:47
[...] linkar a idéia central, então eu encontrei a resposta lendo o comentário do Leandro no post “A incerteza sobre o Super-Homem”. Leandro foi claro em sua colocação: “use o cérebro e viva a vida!” Na mosca, [...]