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Eleições em SP – Um mutante no poder
Nas semanas que determinam a decisão na corrida pela prefeitura de SP, a campanha da candidata Marta Suplicy ganhou incrível notoriedade reversa ao insinuar que seu adversário é “diferente”.
Ao indagar sobre o fato do oponente não ser casado e não ter filhos, a inserção do PT elevou a imagem de Kassab ao de um duvidoso mutante e causou um debate ético que transportou todos nós a um cenário digno das histórias dos X-Men: a questão da relevância da diferença, do comportamento considerado estranho. A mulher conseguiu transformar política em enredo de quadrinhos, como se a política se apoiasse em questões pessoais, de baixo dos lençóis e entre quatro paredes, e não em decisões administrativas voltadas para a melhoria da cidade. E cabe uma pergunta: quais são estas melhorias?
A determinação da incapacidade e inconsistência política do oponente baseada em questões meramente sexuais, fez com que Marta assumisse a imagem repressora de um Sentinela, com seus canhões voltados para todos aqueles que são apontados como mutantes.
Esse foco nas diferenças é um tema recorrente nas páginas das comix dos X-Men, tanto que um dos arcos mais marcantes do início da década de 90 foi justamente sobre o Vírus Legado, misteriosa doença que infectava apenas mutante, em uma alusão clara ao advento do vírus HIV. E o que chamaram de praga mutante causou a morte do Pyro, personagem que eu tanto admiro, embora seja um vilão.
Evidentemente, a realidade da política nacional nos impede de considerar qualquer candidato um pobre e injustiçado cordeirinho, mas ao contrário do que acontece nas HQs, os cidadãos parecem desaprovar o deslize ético da campanha do PT e já podemos enxergar diversos nichos sociais manifestando seu apoio ao candidato mutante.
Ao amanhecer e despertar do século XXI, todos nós estamos preocupados em alcançar uma melhor qualidade de vida e todos esses rótulos arrastados parecem estar mais que explorados e passam a perder relevância. E a queda desses rótulos provavelmente será refletida nas urnas, em 26 de outubro.
E haverá um mutante no poder, eleito não por grandes propostas ou histórico político e sim, por um ato equivocado que pregava a diferenciação entre as pessoas.
* Esse post não tem qualquer apelo político ou social, uma vez que não encontrei em nenhum dos candidatos um direcionamento político que me convencesse. Porém, tal comoção real e paralelo com os X-Men não poderia ser ignorado.

























14 de outubro de 2008 às 17:01
Belo post, parabéns!
14 de outubro de 2008 às 18:04
Kadu, execelente seu texto e sua comparação. Fiquei sem palabvras – o que é bem raro em mim – e vou te pedir licença para replicar no meu blog um trechinho!
14 de outubro de 2008 às 21:24
Acho lamentável, ela agora cita o tal do DNA político em tudo que diz. Isso que não consegue dizer uma só frase sem mencionar o senhor presidente da república. Mas realmente se superou ao questionar se o homem é gay, casado, tem filhos. Que diferença isso faz para a realidade de uma cidade como São Paulo?
16 de outubro de 2008 às 11:34
Como sou carioca, não fiquei sabendo dessa história ocorrida em São Paulo. A comparação feita é excelente. O ruim é saber que essa comparação é possível em inúmeros momentos de nosso cotidiano. E o pior é saber que somos “sentinelas” também. Nós também achamos esquisito se alguém aparece de cabelo rosa no trabalho, ou se na rua passamos por alguém com vários piercings no rosto. E ainda fazemos pior quando ficamos olhando pessoas deficientes como se fossem os verdadeiros mutantes.
Percebam que escrevi “nós” porque também me incluo nisso. É do ser humano demorar para similar as diferenças. Por isso, acho que o erro está no julgamento. Precisamos entender que sempre seremos diferentes para alguém por mais inseridos na sociedade que possamos estar. Aí mudaremos nossa forma de pensar.
E sobre o ocorrido em São Paulo, eu só tenho uma coisa pra dizer: Martha Suplicy é mulher. Esse já é o seu diferente! Mulheres no poder são uma VITÓRIA e ela tem coragem de julgar alguém? As mulheres levaram anos para chegar há algum lugar na sociedade e agora ela questiona um homem que não tem família? O que isso quer dizer? Ela está querendo inverter os papéis agora? No século XXI? No século onde a maior potência mundial teve uma disputa entre “dois mutantes” por uma vaga no poder (a mulher Hillary e o negro Obama)?
Pra mim, Martha deu uma de APOCALIPSE: na política, ser mulher já é ser diferente, ou seja, ela JÁ É mutante. O que ela quer fazer é identificar outros mutantes e dizer quem é o mais forte.
16 de outubro de 2008 às 16:07
concordo com o Kdú , é apenas uma mera luta de mutantes , por que governar que é bom , nada!!! e Viva a vida…
16 de outubro de 2008 às 21:21
Ola! Eh, a Marta tá com cara da Mystica, a mutante de duas caras isso sim! rarrararaara! E Sam, é claro que voce pode fazer uma citação do texto sim.
Um grande abraço a todos =)
17 de outubro de 2008 às 10:21
[...] forma como é abordada pelos rivais políticos mostra quem é quem. Kadu escreveu um texto ótimo (Um mutante no poder) nesta semana no Com Limão no qual comparava a perseguição diferente com o X-Men. Vejam um [...]
17 de outubro de 2008 às 12:54
E o ser humano que não sabe conviver com as diferenças, ataca outra vez! Tcharammmm!
18 de outubro de 2008 às 13:50
Eu eu vi um msg no twitter que ilustra perfeitamente a situação atual destas eleições: Pesquisa Datafolha: 53% preferem ter um prefeito gay e 37% preferem ter uma prefeita casada com um argentino.
http://twitter.com/tonydemarco/statuses/965103600
18 de outubro de 2008 às 19:24
Fala Alex! Muito boa essa pesquisa Datafolha! rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs! Desta vez, acho que a Marta não tem chance mesmo. Abs!