Com limãoCom limão

No ar desde setembro de 2006, o Com limão é um site especializado nas áreas de comunicação social e visual, escrito por uma equipe composta de profissionais do mercado mundial.

Entre em contato pelo e-mail: contato@comlimao.com
 
 
NewsletterNewsletter

Cadastre seu e-mail e receba nossas novidades.

 
 
Siga! @Comlimao
3960 seguidores
5610 mensagens

Fim de semana chegando e deu aquela vontade de comida japonesa? Aprenda como comer sushi: | ... continue lendo
 
Parceiros

 
Guerra & Religião – Andando de mãos dadas

war_guerra_religiao

Todos sempre concordam com uma coisa quando se fala sobre os conflitos (leia-se guerras) no Oriente Médio: é um grande problema. Este problema é muito mais complexo e antigo do que parece e a solução pode estar longe de ser encontrada. Hoje vou analisar a questão religiosa que esta incrustada nos conflitos entre os países do Oriente Médio, mas não vou me limitar a eles. A religião tem sido usada como pretexto para atrocidades há muito tempo e nenhuma doutrina está isenta de culpa.

Durante a História da humanidade a religião serviu, paradoxalmente, como uma forma de separar os povos e não de uni-los (a origem da palavra vem do Latin religio e relicare que significa unir, religar ou ligar). Dentro de cada religião sempre existiu o conceito de unidade, mas apenas para aqueles que estão dentro da doutrina. Qualquer um fora dela é tratado de forma diferente. É algo como você ter um contrato que diz que mostra seus direitos e deveres, se você assina este contrato você está assumindo o compromisso de que irá seguir as cláusulas do contrato, ou seja, irá cumprir seus deveres; e, por conseguinte, poderá usufruir dos direitos nele contidos. De uma forma geral, o fato de haver esse tipo de contratos não quer dizer, necessariamente, que temos um problema; são as conseqüências desse contrato que causam os problemas. Principalmente o fato de que aqueles que não assinaram este contrato e não seguem suas regras podem ser considerados não dignos de confiança, no mínimo.

Nós vivemos num mundo em que o pensamento mudou drasticamente nos últimos 1000 anos; o Determinismo nos deu os pilares para que desenvolvêssemos a experimentação científica, mas também nos deu a noção de que o que fazemos não faz diferença, uma vez que somos frutos do meio e nossas ações são sempre determinadas pelo que foi feito antes. O Niilismo apresentou a noção que o ser humano é que deveria ser valorizado e cultuado, mas ao mesmo tempo matou deus. A dicotomia criada por Santo Agostinho para justificar filosoficamente o cristianismo foi traduzida apenas em “Bem e Mal”; e esses conceitos nos perseguem até hoje, nos fazendo esquecer que entre bem e mal existe uma infinidade de possibilidades e que as coisas ou pessoas não são boas ou más… Elas estão, em determinado momento, sendo.

Agora vamos ao que importa: O principal problema envolvendo as três maiores religiões monoteístas começa exatamente pelo principal pilar de suas doutrinas: D’us é um! Eu poderia argumentar que, sendo as três religiões fundamentadas em origens comuns, esse deus único é o mesmo, certo? Infelizmente não precisamos ir muito longe para ver que a realidade não é essa e que as três religiões conclamam que “o seu” deus único é que é o verdadeiro. Como se resolve esta equação? Se alguém aceitar que existe mais de um deus então isto seria uma quebra do contrato… Se alguém aceitar que os três deuses são, na realidade, o mesmo; como explicar as diferenças radicais entre as outras cláusulas do contrato? Tentar misturar razão e religião nunca foi uma tarefa simples, na realidade todos que tentaram fracassaram.

A religião é para o ser humano como um atestado de antecedentes, mostra de onde viemos e para onde vamos, coisa que até hoje a ciência não foi capaz de fazer; dá-nos tranqüilidade diante da certeza de que não vamos existir pra sempre. A razão nos mostra como dominar o nosso meio, entender como as coisas funcionam e fazê-las funcionarem para nosso benefício; permite-nos questionar qualquer coisa e, através de experimentação, provar que algo é ou não é (e muitas vezes quando, como, etc.). Religião e razão parecem opostos, mas são complementares, uma continua onde a outra para. A razão pode explicar uma infinidade de fenômenos, mas há aqueles que ainda não foram explicados. É nesta hora que a religião entra: trazendo uma explicação que, no mínimo, nos alivia do peso da dúvida eterna.

Mas o que acontece quando se tenta racionalizar uma religião ou “sacratizar” uma verdade científica? Seres humanos são animais sociais, nós nos agrupamos o tempo todo; assumimos diferentes papéis dentro da nossa vida e, para cada papel, é esperado um comportamento diferente: nós somos ao mesmo tempo pais, filhos, irmãos, amigos, brasileiros, americanos, iranianos, israelenses, flamenguistas, corintianos. No decorrer do dia nossos papeis vão mudando e para cada novo papel nós nos reagrupamos de forma diferente, num momento podemos estar juntos como flamenguistas; no outro momento, separados porque um flamenguista é pró-Israel e o outro é pró-Palestinos; num terceiro momento estaremos juntos, flamenguista e vascaíno, por que o Brasil irá jogar vôlei contra a seleção Palestina.

Meu ponto com este post é que a religião não deveria representar sua identidade nem guiar todos os seus atos. Isso nos separa como seres humanos, da mesma forma que os países nos separam em nacionalidades. Essa separação faz com que nós vejamos qualquer um que esteja fora do nosso grupo como sendo “os outros”, “os diferentes”, e diferente não é bom dentro dessa realidade. A regra do grupo se aplica à religião também, quem é “Flamengo” não quer ser “Vasco” e quando os grupos se juntam as coisas podem ser desastrosas. Se essa analogia é real para grupos próximos, imagine como funciona para grupos separados geograficamente, e mais, separados por culturas e hábitos diferentes e séculos de existência? O que fazer quando não existe bem ou mal, certo ou errado; quando o deus único é, na realidade, vários? O que fazer quando todo o seu mundo, suas crenças, seus antepassados são postos em dúvida? Como reagir quando alguém te diz que tudo em que você acredita não é verdade?

Dentro dos alicerces do judaísmo está a aliança com D’us: a circuncisão; os cristãos não acreditam nisso… Quem está certo? Os muçulmanos acreditam que devem fazer uma peregrinação anual a Meca, os judeus não vêem essa necessidade… Quem está certo? Os cristãos acreditam que Jesus é filho de deus, os muçulmanos não têm essa crença… Quem está certo? Dentro da lógica aceita hoje, se um está certo os outros teriam que estar, necessariamente, errados. Se um aceitar a verdade do outro, isso significa abrir mão de sua própria verdade. Embora esse pensamento não seja de todos dentro de cada religião, a maioria pensa assim e o movimento dogmático como um todo reflete isso. Reflete de tal maneira que influencia tudo que está a sua volta até chegar ao âmbito nacional e mundial. Aceitar uma coisa é suficiente para pôr em dúvida todo o sistema.

O que deveria ser perguntado não é “quem está certo?”, e sim, “que diferença faz?”. A diferença é que há muito mais em jogo que a religião, a humanidade se divide em grupos sim, e o que acontece quando nos agrupamos é que queremos que nosso grupo seja o principal, o mais forte, o dominante, que vença; que seja superior. Antropologicamente poderíamos dizer que, pelo fato de sermos a espécie dominante do planeta o único ser vivo que nos ameaça somos nós mesmos. Então nós “defendemos” nosso grupo contra outros grupos diferentes – leia-se defendemos como impomos, conquistamos, colonizamos, eliminamos; e leia-se diferentes como raças, cores, credos, costumes.

No próximo post darei exemplos históricos que mostram tudo isso que acabei de mencionar envolvendo todas as religiões aqui abordadas, hora como opressoras, hora como oprimidas.

Dê sua opinião. Comente este post aqui

 
Jakpak – A jaqueta que se tranforma em barraca impermeável em poucos segundos
Jakpak – A jaqueta que se tranforma em barraca impermeável em poucos segundos

Tags: , , ,

Info: Empresa americana lança jaqueta com design simples que vira barraca e não exige montagem complexa
 
Fotografia & Ilustração

Alexa Meade – Como dar vida (literalmente) para pinturas sem tirar a textura do pincel

Mathieu Beaulieu – Um freelancer que se destaca na multidão

Matthew Scott – Ilustrações para adultos e crianças

IMP Awards – Os melhores cartazes do cinema e da televisão

Avanaut – A arte finlandesa de fotografar Legos na neve

El Cabriton y amigos – Camisetas criativas, uma por dia até o Natal!