Com limãoCom limão

No ar desde setembro de 2006, o Com limão é um site especializado nas áreas de comunicação social e visual, escrito por uma equipe composta de profissionais do mercado mundial.

Entre em contato pelo e-mail: contato@comlimao.com
 
 
NewsletterNewsletter

Cadastre seu e-mail e receba nossas novidades.

 
 
Siga! @Comlimao
3963 seguidores
5610 mensagens

Fim de semana chegando e deu aquela vontade de comida japonesa? Aprenda como comer sushi: | ... continue lendo
 
Parceiros

 
9 de Julho – Orgulho de ser Paulista!

PAULISTA

O estado de São Paulo vivenciou na primeira metade do século XX um acelerado processo de industrialização e um enorme enriquecimento devido as lavouras de café e a Política do Café-com-Leite.

Em 1929 – meses antes da “Quinta-feira Negra” – o Brasil sofreu com uma crise de política interna: o governo de Washington Luís rompeu com a Política do Café-com-Leite ao nomear como seu sucessor na presidência o paulista Júlio Prestes, do Partido Republicano Paulista, que era apoiado por 17 estados. Com isso a bancada mineira rompeu com São Paulo e se uniu a gaúcha no Congresso, prometendo aliança a Getúlio Vargas, se este concorresse à presidência. Dessa forma, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba (união conhecida como Aliança Liberal) com o apoio do Partido Democrático de São Paulo, parte da classe média urbana e os tenentes, Getúlio Vargas doi lançado à presidência e João Pessoa à vice-presidência.

Em setembro de 1929, durante debates na Câmara dos Deputados e no Senado Federal se dizia abertamente que caso a Aliança Liberal não ganhasse a eleição, haveria uma revolução.

Já em meio à grave crise econômica – devido a Grande Depressão de 1929, que derrubou os preços do café – Júlio Prestes foi eleito presidente, vencendo de forma esmagadora Getúlio Vargas.

A ala radical da Aliança Liberal decidiu pegar em armas, usando de pretexto o assassinato de João Pessoa, em julho de 1930, como estopim do movimento. Apesar disso, o assassinato não teve motivos políticos, mas o impacto emocional deu ânimo aos oposicionistas derrotados. O apoio popular cresceu e os preparativos para o golpe foram levados adiante com rapidez pois já se aproximava o momento da posse de Júlio Prestes.

Em 3 de outubro de 1930, estourou a insurreição nos três estados que apoiavam Getúlio Vargas. Ainda em outubro, mais exatamente no dia 24, um golpe militar liderado por comandantes no Rio de Janeiro depuseram Washignton Luís e entregaram o poder a Getúlio Vargas, que tomou posse instalando uma ditadura.

Era então o fim da República Velha e da Política do Café-com-Leite e o início da Era Vargas e do Governo Provisório.

Em 1932, a irritação dos paulistas com Getúlio Vargas era enorme. A primeira grande manifestação dos paulistas foi um gigantesco meeting, na Praça da Sé, no dia do aniversário de São Paulo, com um público estimado em 200.000 pessoas.

O Partido Republicano Paulista e o Partido Democrático de São Paulo, que antes apoiaram a Revolução de 1930, uniram-se em fevereiro de 1932, na Frente Única para exigir o fim da ditadura do Governo Provisório e uma nova Constituição. Assim, São Paulo inteiro estava contra a ditadura.

O estopim da revolta foi a morte de cinco jovens no centro da cidade de São Paulo, assassinados à tiros por partidários da ditadura, conhecidos como Legião Revolucionária. A morte dos jovens deu origem a um movimento de oposição que ficou conhecido como MMDC, atualmente denominado oficialmente de MMDCA (Mário Martins de Almeida – Martins, Euclides Bueno Miragaia – Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa – Dráusio, Antônio Américo Camargo de Andrade – Camargo, Orlando de Oliveira Alvarenga – Alvarenga). O Povo quando ficou sabendo saiu às ruas, houve grandes comícios e passeatas e no meio do tumulto a multidão tentou invadir a sede da Legião Revolucionária mas ao subirem as escadarias do edifício, foram recebidos à bala.

Em 23 de maio de 1932, São Paulo conseguiu romper de vez com o Governo Provisório, marcando esse dia como o Dia do Soldado Constitucionalista.

Com esses acontecimentos, começou-se a tramar um movimento armado visando a derrubada da ditadura de Getúlio Vargas. Em 9 de Julho de 1932 eclodiu o movimento revolucionário.

Pedro de Toledo, que ganhou forte apoio dos paulistas, foi proclamado governador de São Paulo e foi o comandante civil da revolução constitucionalista. Foi lançado uma proclamação da Junta Revolucionária chamando os paulistas a lutarem contra a ditadura. Alistaram-se 200.000 voluntários, sendo que estima-se que destes, 60.000 combateram nas fileiras do Exército Constitucionalista. No atual Mato Grosso do Sul foi formado um estado independente chamado Estado de Maracaju, que apoiou São Paulo.

Quando se iniciou o levante, uma multidão sai às ruas em apoio. Tropas paulistas foram enviadas para os frontes em todo o Estado. Mas as tropas federais eram mais numerosas e bem equipadas. Aviões foram usados para bombardear cidades do interior paulista. 40 mil homens de São Paulo enfrentaram um contingente de 100 mil soldados. Os planos paulistas previam um rápido e fulminante movimento em direção ao Rio de Janeiro pelo Vale do Paraíba, com a retaguarda assegurada pelo apoio que seria dado pelos outros estados. Porém, sem o apoio dos outros estados, que desistiram de última hora, o plano imaginado por São Paulo não se concretizou: Rio Grande do Sul e Minas Gerais foram compelidos por Vargas a se manterem ao seu lado e a publicidade de pretensão separatista do movimento levou São Paulo a se ver sozinho, com o apoio de apenas algumas tropas mato-grossenses, contra o restante do Brasil.

Como as fronteiras do Estado foram fechadas, não havia como adquirir armamento para o conflito, assim muitos voluntários levaram suas próprias armas pessoais e engenheiros da Escola Politécnica do Estado (hoje EPUSP) e do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) passaram a desenvolver armamentos a serem produzidos pelo próprio Estado para suprir as tropas. São Paulo também tinha criado sua própria moeda, que foi falsificada pela ditadura e distribuída na capital paulista para desestabilizar a economia do Estado.

Também foram compradas armas nos EUA, mas o navio que as transportava foi apreendido. Houve muita falta de munição, o que levou os paulistas a inventarem e usarem um aparelho que imitava o som das metralhadoras, chamado de “matraca”.

Usou-se muita propaganda e contra-propaganda ideológica por parte da ditadura que acusava São Paulo de estar nas mãos do fascismo italiano trazido pelos imigrantes. Eram recrutados pela ditadura, brasileiros de outras regiões para combaterem São Paulo dizendo-lhes que São Paulo queria se separar do Brasil.

O crime mais bárbaro ocorrido durante a Revolução de 1932, ocorreu na cidade de Cunha onde as tropas da ditadura torturaram e mataram o agricultor Paulo Virgínio, por ele se recusar a dizer onde estavam as tropas paulistas. Paulo Virgínio foi obrigado a cavar sua própria sepultura e morreu dizendo: “Morro mas São Paulo vence!”.

O movimento estendeu-se até 2 de outubro de 1932, quando realmente não teve mais como prosseguir e foi derrotado militarmente, sendo considerado o maior conflito militar da história brasileira no século XX.

Porém o término da revolução constitucionalista marcou o início do processo de democratização. A derrota militar entretanto se transformou em vitória política. Em 3 de maio de 1933 foram realizadas eleições para a Assembléia Nacional Constituinte, quando a mulher votou pela primeira vez no Brasil em eleições nacionais. Ao ver seu governo em risco, Getúlio Vargas deu início ao processo de reconstitucionalização do país, levando à promulgação em 1934 de uma nova constituição. Nesta eleição, graças à criação da Justiça Eleitoral, as fraudes deixaram de ser rotina nas eleições brasileiras.

Para os paulistas, a Revolução de 1932 transformou-se em símbolo máximo do Estado. Hoje, a revolução é fortemente comemorada na cidade de São Paulo e no interior do estado, onde a destruição e as mortes provocadas pela rebelião são ainda recordadas.

No restante do país, o movimento é mais lembrado pela versão imposta pelos vitoriosos, a de uma rebelião conservadora, visando a reconduzir as oligarquias paulistas ao poder, colocando esta tentativa de volta ao poder como algo inaceitável e de uma rebelião de velado caráter separatista, desconsiderando-se o imenso apoio popular obtido pelo movimento constitucionalista.

Mas apesar de tudo, esse é um motivo de orgulho do povo paulista.

Um grande salve a todos os heróis paulistas de 1932, que lutaram por um país melhor.

 
Jakpak – A jaqueta que se tranforma em barraca impermeável em poucos segundos
Jakpak – A jaqueta que se tranforma em barraca impermeável em poucos segundos

Tags: , , ,

Info: Empresa americana lança jaqueta com design simples que vira barraca e não exige montagem complexa
 
Fotografia & Ilustração

Alexa Meade – Como dar vida (literalmente) para pinturas sem tirar a textura do pincel

Mathieu Beaulieu – Um freelancer que se destaca na multidão

Matthew Scott – Ilustrações para adultos e crianças

IMP Awards – Os melhores cartazes do cinema e da televisão

Avanaut – A arte finlandesa de fotografar Legos na neve

El Cabriton y amigos – Camisetas criativas, uma por dia até o Natal!