Entenda um pouco mais sobre o Festival de Parintins, uma das maiores manifestações folclóricas do país e o seu núcleo do artesanato brasileiro

Por Silvia Padilha e Camila Garcia
Galeria de imagens:
Quem já ouviu falar de Parintins? Uma ilha localizada no meio da floresta Amazônica, com cerca de cem mil habitantes, que movimenta milhares de pessoas no mês de junho há exatos 44 anos e que abriga uma das maiores e mais belas festas populares do Brasil: o Festival de Parintins, uma das principais manifestações folclóricas do País.
Dividida por uma linha imaginária que vai da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, Padroeira da cidade, até o Bumbódromo. A ilha é dividida em dois lados: um azul, do Boi Caprichoso, e outro vermelho, do Boi Garantido. Para quem não conhece, Parintins é a ilha dos contos, lendas e mistérios do Amazonas. Quem visita Parintins logo se encanta com suas belezas naturais, culinária típica e de um povo extremamente acolhedor.
A história do festival que gira em torno de Mãe Catirina, grávida, deseja comer a língua de um boi. Pai Francisco, seu marido, para satisfazer o desejo da esposa, mata o boi mais bonito da fazenda e o preferido de seu patrão. Quando o dono da fazenda descobre, manda prender Pai Francisco e chamar um pajé, que consegue ressuscitar o animal. Com isso Pai Francisco é perdoado e todos iniciam uma grande festa.
As apresentações acontecem no Bumbódromo, uma arena com formato da cabeça de um boi com capacidade para 35 mil pessoas, espaço que muitas vezes torna-se pequeno pela quantidade de pessoas que vão ao festival. Durante as três noites de festa, Caprichoso e Garantido exploram diversas temáticas da região, como lendas, rituais indígenas e costumes dos ribeirinhos através de encenações e alegorias.
As toadas, as cores, o ritmo, a vibração da galera, todos esses detalhes fazem do Festival de Parintins uma das mais belas festas que o Brasil possui, assim descreve Karyne Medeiros, 21 anos, Porta-estandarte do Boi Caprichoso – índia guerreira que carrega o estandarte com o símbolo do boi. “O Festival é a maior manifestação folclórica do Brasil, é a nossa identidade, através da qual somos reconhecidos nacional e internacionalmente, quando temos a oportunidade de mostrar em um espetáculo a céu aberto, toda a criatividade e talento do nosso povo”, afirma a Porta-estandarte.
Para Karyne o festival é mais uma forma de chamar a atenção do mundo para a preservação da Amazônia. “É como o caboclo parintinense, através de sua arte, conclama e mostra ao mundo que é possível viver em harmonia com a natureza. O Caprichoso mostrou um espetáculo voltado à preservação e manutenção da natureza de uma forma sustentável”, finaliza.
O sonho de toda menina parintinense é um dia se tornar item do seu boi. Assim aconteceu com Brena Dianá, 16 anos, que foi convidada este ano pelo coreógrafo Marcos Falcão para ser substituta de Karla Thainá, até então Rainha do Folclore do Boi Caprichoso. “Receber este cargo foi ter o privilégio de representar o boi que eu tanto amo. “A Rainha do Folclore representa a diversidade de valores culturais, a magia e a cultura que envolve todo um contexto cultural”, explica Brena.
Além de contribuir com o turismo e o folclore, o Boi Caprichoso é exemplo em responsabilidade social, pois mantém uma escolinha de artes que tem como principal objetivo preparar os jovens da ilha para o mercado de trabalho. A Escola de Artes Irmão Miguel de Pascalle, atende cerca de 560 crianças e adolescentes, aproveitando o manancial de educadores, artistas e artesãos existentes em Parintins em busca de uma atividade rentável, direcionando-os para uma atividade social e preparando os jovens com potencial intelectual e artístico a desenvolverem as artes plásticas, cênico musical, artesanal, inerente do povo parintinense propiciando-lhe informações técnicas direcionadas às suas aptidões artísticas fornecendo preparação ao mercado de trabalho.
“O aprendizado irá gerar uma fonte de renda a esses jovens artistas, futuramente, tendo em vista o mercado turístico estar em plena ascensão na região, mas especificamente aqui no Município de Parintins Amazonas onde acontece uma das maiores manifestações culturais do Brasil”, explica Danielle Ramos, secretária da agremiação Boi-Bumbá Caprichoso.
Um exemplo do enorme talento dos artistas parintinenses foi que até mesmo os carnavais do Rio de Janeiro e de São Paulo já possuem alegorias feita por eles, o que demonstra a grandiosidade do talento e capacidade dos artistas da pequena ilha.

Silvia Padilha é web designer e publicitária. Residente em São Paulo, mas é natural do Amazonas. Torcedora de corpo e alma do Boi Caprichoso, o que lhe rendeu a responsabilidade da produção do site oficial do Boi.
Camila Garciaé jornalista e escritora. Além de atuar em assessoria de comunicação, também realiza trabalhos de repórter e roteirista.
