Posts Tagged ‘História’

6
abr
The Fawcett Ranch House – uma obra prima da arquitetura

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Incrível como todas as vezes em que vou mergulhar no ramo de arquitetura acabo me deparando com uma criação do mestre Frank Lloyd Wright. Figura chave da “arquitetura orgânica”, Wright já apareceu no Com limão no mínimo duas vezes.

Confesso que ainda não conhecia o projeto da The Fawcett Ranch House, afinal Wright faleceu em 59 deixando mais de 500 projetos não construídos, mas ela segue o mesmo conceito das demais.

Sempre valorizando o terreno e o ambiente local da casa, a The Fawcett é uma propriedade com mais de 350 m² e localizada em Los Banos, na Califórnia. Seus amplos jardins e sua imensa piscina integram-se perfeição a arquitetura nada convencional e de linhas retas de Wright (veja a planta na imagem abaixo).

Avaliada em U$2,7 milhões esta obra prima da arquitetura está à venda! Eu juro que se fosse um milionário não compraria apenas pela beleza e localização, mas também por todo o contexto histórico que ela se encaixa. Algum interessado? Podem começar os lances!

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3
mar
Das Cruzadas às torturas atuais

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O que é a verdade senão a versão que é aceita em um determinado momento, pela maioria? A memória é falha. Se os documentos existem, são inexatos ou até falsos; como saber realmente o que acontece? Você já se perguntou alguma vez se aquela estória contada no jornal está sendo 100% acurada? Alguma vez você, ao ler uma notícia, notou que ali não estava a verdade completa? Nem sempre isso ocorre por acaso, mas há momentos em que o que aconteceu foi que as fontes não eram exatas por isso o resultado também não foi.

Se isso pode acontecer com o jornal que você leu hoje, o que dizer de textos escritos há milhares de anos? Como eu disse no início de meus posts a História é escrita pelos vencedores. Assassinos se tornam heróis, criminosos se tornam mártires e pessoas justas se tornam vilões, mas isso tudo depende do lado que você está.

Essa verdade também vale para religiões. As vitoriosas conseguem manter seus livros, tradições, dogmas, vivos enquanto as derrotadas se perdem no esquecimento. No decorrer da História, assim como quaisquer outros grupos dominantes ou dominados, os grupos religiosos lutaram para atingir uma posição de destaque e poder (compartilhado ou não). Dentro do pensamento religioso é possível usar argumentos baseados em preceitos divinos como verdades absolutas e, dessa forma, fornecer fins para justificar os meios. Tenho certeza de que se eu ou qualquer pessoa resolvesse questionar trechos de livros religiosos haveria diversas respostas contrárias indo de ameaças a atos violentos, e assim também era há milhares de anos. Vamos aos exemplos.

É fato, e independente da repercussão que meu comentário pode receber, não existe na História da humanidade religião que mais tenha feito uso da fé para justificar crimes e atrocidades que o cristianismo. Embora os primeiros cristãos tenham sido perseguidos pelos romanos, após se tornarem religião oficial do império (e até nossos dias) os cristãos foram mais cruéis e implacáveis que um milhão de romanos juntos. Entre os maiores crimes cometidos em nome de Jesus vou destacar os mais importantes:

§ As Cruzadas: Durante a primeira Cruzada, com o pretexto de libertar Jerusalém quando as tropas tomaram a cidade dos muçulmanos que se renderam com a promessa de que a população civil seria poupada. Horas após a rendição milhares de civis (judeus e muçulmanos, mulheres e crianças) foram executadas e templos (mesquitas e sinagogas) queimados. Apesar de os motivos das cruzadas não terem sido inteiramente religiosos a igreja prefere que esta seja a sua razão oficial. 70 mil pessoas mortas;

§ A Santa Inquisição: durante a Idade Média, a inquisição foi a resposta mais agressiva a Reforma Luterana. E o que foi a reforma senão uma rebelião contra o grupo dominante? A reação cristã foi tão contundente que não atingiu apenas os reformistas mas toda e qualquer outra forma de demonstração religiosa diferente. E assim foi feito como fogueiras para queimar hereges (homens, mulheres e crianças), torturas, destruição de documentos importantíssimos. Um milhão de pessoas mortas;

§ Companhia das Índias: Ainda como uma forma de contra-reforma a A “catequização” jesuíta foi criada para cristianizar o mundo durante as grandes navegações do Mercantilismo. O número total de mortos é desconhecido, estima-se que sejam de 800.000 a 3.000.00;

§ Segunda Guerra Mundial: representantes da igreja católica e o próprio papa deram apoio ao não ofereceram oposição aos regimes nazista e fascista de Hitler e Mussolini. Nove milhões de mortos, seis milhões de judeus;

Dentro dos casos de crimes cometidos pelo islamismo misturam-se casos típicos envolvendo questões éticas, como Darfur; políticas, como a revolução islâmica do Irã; ou guerras que não serão incluídas. Não serão incluídos na lista de hoje crimes realizados por grupos definidos como terroristas por não ser 100% claras as razões religiosas envolvendo os atos; eles serão incluídos nos crimes envolvendo etnias e razões político-econômicas:

· Amputação de membros de criminosos;

· Condenação à morte por apedrejamento por diversos tipos de crime, como adultério e homossexualismo (os chamados crimes ligados à honra);

· Justificar pela religião que é aceitável submeter (ou aniquilar) outros povos (mesmo islâmicos) considerados não fiéis – usando para tanto pregações pacíficas, violência militar ou expansão demográfica.

Finalmente falaremos pelos crimes cometidos em nome do judaísmo. Assim como no caso do Islã, não incluirei questões étnicas, políticas (Sabra e Shatila), atos terroristas ou guerras:

§ Sacrifícios de animais (abandonados durante a fase da Diáspora);

§ Assassinato de Ikzak Rabin.

12
fev
Guerra & Religião – Andando de mãos dadas

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Todos sempre concordam com uma coisa quando se fala sobre os conflitos (leia-se guerras) no Oriente Médio: é um grande problema. Este problema é muito mais complexo e antigo do que parece e a solução pode estar longe de ser encontrada. Hoje vou analisar a questão religiosa que esta incrustada nos conflitos entre os países do Oriente Médio, mas não vou me limitar a eles. A religião tem sido usada como pretexto para atrocidades há muito tempo e nenhuma doutrina está isenta de culpa.

Durante a História da humanidade a religião serviu, paradoxalmente, como uma forma de separar os povos e não de uni-los (a origem da palavra vem do Latin religio e relicare que significa unir, religar ou ligar). Leia na íntegra este artigo

27
jan
Unidos pela história, separados pela guerra

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Abraão contou a Sarah, sua mulher, que ela deveria dar à luz. Como Sarah sabia que não poderia conceber um filho, ofereceu a Abraão sua escrava egípcia Hagar (isso era algo comum na época) para que a tarefa dada a Abraão pudesse ser cumprida. Foi assim que Abraão teve seu primeiro filho aos 86 anos, segundo a Torah: Ismael.

Ismael quer dizer “aquele a quem D’us escuta”. Devido a conflitos entre Sarah e Hagar, atribuídos provavelmente a ciúmes com relação ao filho, Hagar foge do acampamento de Abraão levando Ismael. Ela retornaria mais tarde com a promessa de D’us de que seu filho seria também o pai de uma nação de muitos. De acordo ainda com a Torah, o judaísmo como religião nasceu com Abraão por ter sido ele o primeiro patriarca, o primeiro que fez sua aliança com D’us, como veremos daqui a pouco, mas os judeus, como povo, viriam apenas com o profeta Moisés. O povo árabe também nasceu neste momento, pois Ismael é considerado, pelos muçulmanos, profeta e ancestral de todos os árabes.

Anos após este incidente, D’us confirmaria a Abraão que este ainda seria pai de um filho de Sarah e ordena que todos os homens de sua casa fossem circuncidados e que, a partir daquele dia, todas as crianças do sexo masculino receberiam este sinal no oitavo dia após seu nascimento. Nesta ocasião os nomes de Abraão e Sarah são trocados (para ter as significações como “pai de muitas nações” e, no caso de Sarah, para por fim a sua esterilidade). Sarah concebe Isaque, que significa algo como rir ou risada, pois foi como Sarah recebeu a notícia de que teria um filho mesmo sendo estéril, dando risadas.

A estória continua… Tanto judeus quanto muçulmanos compartilham as crenças na continuação, compartilham diversos profetas e suas estórias. De Isaque a Zacarias, passando por José, Moisés, David e Salomão. Apesar de haver divergências quanto à participação de Jesus Cristo dentro do contexto da Torah (para os judeus, Jesus não é o messias) não é raro que ele seja considerado um profeta, e é assim também que ele é considerado para os muçulmanos. Então temos, nesse momento nova separação. Diferentemente dos judeus e dos árabe-muçulmanos, os cristão não são considerados ou se consideram um povo.

Isso, é claro, não impediu seu crescimento como religião e que esta também tivesse tantos seguidores quantos as estrelas do céu e os grãos de areia da praia. A crença de que Jesus seria o messias deve-se ao fato de que Elias teria profetizado sua vinda. Para o judaísmo o messias seria o ungido, aquele que iria reconstruir a nação de Israel e restaurar o reino de David, trazendo desta forma a paz ao mundo. Divergências à parte, a crença de que Jesus era o messias fez do cristianismo uma religião importante e, em diversos momentos, criou divergências sérias para com judeus e muçulmanos.

Neste momento temos três diferentes pontos de vista que, entretanto, compartilham de uma origem comum. Nos próximos posts começarei a mostram como as semelhanças foram sendo esquecidas e onde as diferenças passaram da retórica para ações. Em diversos momentos da História as divergêcias entre as três religiões foram usadas como pretexto para atos de violência inimagináveis. As diferênças culturais entre os diversos seguidores dessas religiões também foram, em muitas ocasiões, os estopins de crises e guerras sangrentas onde morerram milhões.

Os motivos passam pela economia e política, além da religião é claro, e tentarei passar por todas elas. Vou também começar a tentar explicar qual a importância da região hoje conhecida como Cisjordânia e de Jerusalém nesse drama histórico.

A História do Oriente-Médio foi escrita com sangue de muitos povos, desde antes da época em que Abraão teria se mudado para lá, e nada disso mudou até hoje. Não é a primeira vez que árabes, judeus, critãos e muçulmanos brigam nesta e por essa terra e, certamente, não será a última pois ela é extremamente importante para todas essas religiões e seus seguidores, como vocês verão em breve. Como disse antes, me limitarei a passar informações sem, no entanto, tecer nenhum julgamento de mérito ou dar uma opinião. Até lá….

17
jan
No início…

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Certamente não há melhor lugar para começar que o início; portanto deixarei de lado, por hora, as respostas aos comentários.

Era uma vez um homem que viveu muito tempo atrás. Ele morava numa cidade próspera, civilizada e avançada para a sua época. Esse homem era casado, mas não tinha filhos; herdou o negócio de seu pai, e trabalhava todos os dias vendendo cântaros (um tipo de vaso) de barro. Este homem viveu na mesmo terra desde que havia nascido e seus ancestrais ali viviam também há muitos séculos. Mas, o que havia de especial neste homem?

Essa estória vem sendo contada há muitos anos, tenho certeza que você a conhece em algum ponto. A cidade onde este homem morara se chamava Ur na região da Caldéia na Mesopotâmia, a civilização era a antiga Babilônia, sua mulher se chamava Sarah e seu pai se chamava Terá. Ele pertencia à nona geração dos filhos de Sem (um dos filhos de Noé – aquele da arca e do dilúvio) e é por isso que todos os seus descendentes são chamados genericamente de semitas.

Abraão era um homem pacato e pacífico, ao menos assim o descreve a Torah, o livro que contém o texto central do judaísmo e que também é um texto básico compartilhado pelo Alcorão e pela Bíblia cristã. Não é difícil encontrar fontes que descrevem a genealogia de Abraão até Adão, e é por causa dessa ascendência que ele se tornou o ponto central da estória que estou contando. Ele teria vivido há, aproximadamente, 4.000 anos.

Não cabem aqui questionamentos como “Isso é verdade?”, “Existem provas?”. Peço a todos que aceitem os acontecimentos como vocês aceitariam um conto de ficção. A estória não é ofensiva a ninguém e se é verdadeira ou não é secundário neste momento. O que é importante frisar aqui é que esta estória é o pilar das três maiores e mais bem sucedidas religiões monoteístas que existem hoje em dia: o judaísmo, islamismo e o cristianismo.

Conta esta estória que Abraão teria recebido uma missão de D’us. Mas a missão não foi dada por qualquer deus, se tratava do único D’us, o de seus ancestrais. A Babilônia era uma civilização politeísta panteísta; a idéia de um único deus soaria para eles tão estranha como se alguém te dissesse hoje que quando morremos viramos samambaias… logo, deve ter sido muito difícil para Abraão convencer seus familiares a cumprir essa missão. Ele mesmo provavelmente cultuava deuses como Marduque, Baal, Zu (aquele dos Caça-Fantasmas) e estava muito feliz com isso.

Como se já não bastasse ter que convencer todos da existência de um único ser supremo, a missão que lhe foi dada também não era das mais fáceis de engolir: Abraão deveria se mudar de sua cidade e se estabelecer em Canaã. Canaã seria a “Terra Prometida” aos ancestrais de Abraão e ele deveria ir para lá, onde “jorravam leite e mel” por toda parte.

Um detalhe interessante sobre isso é que, realmente, a terra chamada Canaã era tudo menos um lugar maravilhoso para se morar, comparada a Ur. Foi dito a ele também que ele seria o pai de uma grande nação com mais descendentes que as estrelas no céu e que ele seria vitorioso em subjugar nações maiores e mais fortes que já habitavam a região. Bom, mesmo com todos os contras Abraão se mudou para Canaã; lá chegando, obviamente não foram bem recebidos pelos habitantes locais, genericamente chamados de cananeus, mas que representavam diversas etnias e nações diferentes.

Esses moradores passaram a chamar os invasores caldeus de “hebreus” – descendentes de Éber, descendente também, por sua vez, de Sem; ou, em outras interpretações, aqueles que vieram do outro lado do rio (Jordão). O próprio nome Canaã deriva do nome de um neto de Noé, cujo pai teria sido amaldiçoado pelo avô por tê-lo visto bêbado e nu (os descendentes de Can, pai de Canaã, incluiriam: os antigos Fenícios, Hititas, Egípcios e Filisteus entre outros).

Bom, agora Abraão está em Canaã, onde não havia leite nem mel, cheio de vizinhos em volta que não os queriam por perto, com um monte de gente sem saber por que estavam lá e esperando para ser o pai de uma grande nação. Acontece que Abraão tinha um pequeno problema para realizar esta última solicitação – Sarah, sua mulher, era estéril.

Esta estória é uma ferramenta que quero usar para mostrar que existem mais coisas em comum a todos nós judeus, muçulmanos e cristãos do que muitos imaginam, acreditam ou querem aceitar. E vai servir de ponto de partida para minha série de posts que tentarão explicar (mas não justificar) o, aparentemente, eterno conflito entre o Estado de Israel e seus vizinhos árabes. No próximo post contarei como Abraão concretizou o desejo de D’us e se tornou, de fato, pai de uma nação com mais descendentes que as estrelas do céu.

Aconselho aos interessados que leiam também na coluna de Cora Ronai a matéria “A guerra perdida”, que saiu no O Globo de 15/01/2009, que traduz muito do que tento dizer aqui. Até lá…

13
jan
Guerra – A “tranquilidade” de Israel

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Fiquei muito impressionado com a resposta que meu post obteve. Trata-se realmente de um assunto polêmico e o próprio texto já antecipava que haveria opiniões.

Embora o post de hoje não faça parte do meu roteiro original achei que valeria a pena começar a expor informações e contra-argumentar alguns dos comentários feitos. Vamos lá então…

Primeiramente gostaria de convidar a todos aqueles que retrataram Israel como seguro e confortável que venham passar uma temporada aqui. Eu indico as seguintes cidades: Sderot, Ashquelom, Avne, Ashdod, e Naharia. De 2001 para cá foram lançados 8165 mísseis de curto e médio alcance nessas e muitas outras cidades de Israel, somando um total de 76 mortos.

Todos esses mísseis estão guardados num galpão, com etiquetas dizendo o dia, hora e local de onde foram retirados. Esses mísseis nunca tiveram como objetivo alvos militares, todos os mortos são civis, entre eles idosos e crianças. O que temos em Israel é um país que sobrevive a conflitos militares há mais de meio século e que está preparado para isso. Todas as cidades têm locais onde as pessoas podem se esconder em caso de bombardeios (são chamados miklats), além disso, com freqüência são feitos exercícios como a população simulando ataques; é por isso, e porque os mísseis usados são de baixa acuidade, que as casualidades são poucas. Mas a questão aqui é a seguinte, se alguém tenta te matar com uma arma que não funciona isso não quer dizer que ele não tentou;

Sobre a afirmação que Israel e/ou seu exército é genocida; Israel não é contra árabes, muçulmanos, ou qualquer outra etnia. Israel é um país onde vivem árabes e cristãos. Como disse o primeiro-ministro Ehud Olmert: “Nós não acordamos de manhã e pensamos – vamos atacar os palestinos”. Com exceções de poucos períodos, sempre houve algum tipo de ataque a Israel desde que o estado foi criado, e, novamente, o fato de não conseguirem o que querem não quer dizer que os ataques não existiram. Não existem mais assentamentos em Gaza, a terra de onde os colonos judeus foram retirados em 2005 (parte de um acordo para encerrar as hostilidades) servia hoje, unicamente, de plataforma de lançamentos de foguetes. O que temos em Gaza é uma guerra, e pessoas morrem em guerras.

O Hamas estava se utilizando de uma tática que (até agora) funcionava: escondia seus foguetes e armamentos em escolas, mesquitas, hospitais, pois sabia que o exército israelense não atiraria nesses lugares. Aqui não há meia-verdade! Trata-se de um grupo que usa crianças, templos religiosos e doentes como escudos para poder lançar seus ataques. Israel não é perfeito, nem somos ingênuos. O bloqueio a Gaza começou junto com o lançamento dos mísseis. Israel fornece energia e gasolina a Gaza; muitas vezes eles tiveram o fornecimento cortado por falta de pagamentos e não somente por questões de embargo. E, embora não pagasse as contas de energia o Hamas tinha dinheiro para contrabandear armamento através da fronteira com o Egito.

Durante mais de 5 anos Israel conviveu com atentados suicidas a ônibus e restaurantes, muitos inocentes morreram. O que temos hoje é um país que não aceita mais o terror como forma de imposição de ideais. Um país que endureceu muito com o controle de fronteiras, portos, aeroportos e com os vizinhos. A política está funcionando, há vários anos não temos mais atentados, não por que não existe a intenção, mas porque impedimos que aconteça. Nós nos protegemos e continuaremos a fazer isso, como agora. Demorou um ano para que Israel reagisse às agressões do Hamas, agora é a hora; a guerra é contra um grupo terrorista que não respeita vidas humanas, não contra a população de Gaza.

O exército israelense jogou panfletos e até telefonou para a população de Gaza avisando dos ataques, pedindo para que todos os que estivessem dentro ou perto de áreas onde armamentos eram guardados deveria sair. Um exército que quer cometer genocídio faz isso?

Agora sobre o Hamas. O Hamas foi criado durante os anos 80, como uma nova opção à OLP de Yasser Arafat, para falar pelos palestinos e buscar a criação de um estado. Israel apoiou o Hamas no início, como apóia o Fatah hoje, pois se tratava de uma nova possibilidade de paz já que Arafat não era confiável.

Com o tempo o Hamas acabou se mostrando muito pior que a OLP. Não existe ainda um estado palestino e a Faixa de Gaza nunca esteve em piores condições. O Hamas ganhou as eleições sim, legítimas, sim, mas o que fizeram em seguida? Em uma guerra civil sangrenta (isso mesmo, palestinos matando palestinos) expulsaram os representantes do Fatah e passaram a dominar Gaza. O que desejo apontar aqui é que os Gazans escolheram o Hamas mas isso não dava direito a eles de eliminar a oposição de forma violenta.

A intenção do Hamas é que o Estado de Israel não exista mais, eles não tem nada contra os judeus mas não aceitam o estado, essa é uma das razões que mencionei no texto de ontem mas há muitas outras. A resposta ao Hamas é que nós vamos continuar aqui; queremos paz, mas não a qualquer custo, reconhecemos o direito dos palestinos a um estado, eles estão lá há quase tanto tempo quanto os judeus, mas não permitiremos que a criação de um estado seja justificativa para destruir outro, e finalmente, não queremos a morte aos árabes-palestinos… mas não vamos morrer também.

E agora, voltando e finalizando sobre genocídios: Há pouco mais de um ano, no Sudão (país árabe-muçulmano), cerca de 1 milhão de pessoas (isso mesmo – trata-se de 2/3 da população de Gaza) foram mortas no que ficou conhecido como o Massacre de Darfur, unicamente por serem negras e de uma etnia diferente. Isso é genocídio!

Quanto à questão da proibição dos partidos árabes de participar das eleições. É verdade, eles foram proibidos devido ao fato de estarem ligados a grupos terroristas direta ou indiretamente. É como se no Brasil fosse permitido que os traficantes de drogas tivessem um partido e o usassem para cometer crimes. A permissão para a criação desses partidos, em primeiro lugar, mostra o quanto Israel é democrata, mas novamente, não somos ingênuos ou burros.

Não sejam ingênuos. Israel não é o demônio, nem os palestinos são santos, nem o contrário. Existem muitas coisas horríveis acontecendo e é normal querer encontrar alguém para colocar a culpa. É muito fácil os ânimos se incendiarem em assuntos tão polêmico. Espero que todos que estejam dispostos a ler os meus próximos posts tenham em mente que eu quero apenas apresentar fatos, tentar passar informações que vocês não recebem ou recebem truncadas (eu leio o Globo diariamente e é desprezível a maneira como eles manipulam as notícias), mesmo que o preço para isso seja polemizar um pouco. Não espero que todos acreditem, mas gostaria que tentassem abrir suas mentes e entender que nenhum tipo de extremismo é correto, como eu disse Israel não é perfeito, mas nossas intenções não são diferentes das de qualquer país livre.

Para terminar, sobrou a questão da segurança. Durante os feriados do fim de ano no Brasil morreram quase 600 pessoas entre acidentes de trânsito e crimes, somente no Rio de Janeiro. Durante o mesmo período em Israel morreram 4, todas vítimas de mísseis Qassam ou Qatiusha lançados pelo Hamas. Nenhuma morte por assassinato ou acidente de trânsito. A população de Israel é cerca de 7 milhões, algo como a população do Rio, faça as contas e me diga onde é mais seguro viver.

Eu sei o que é estar no Brasil, acostumado, conformado com a violência, com a morte acontecendo todos os dias por coisas banais. Somente quando você muda o paradigma você tem noção do quanto as coisas estão erradas, somente quando acontece com você ou com quem você conhece é que a ficha cai. A realidade bate na sua cara e não é mais apenas “alguém morto por bala perdida” como se vê nos jornais. Não é mais um número na estatística cruel, é você. Amo o Brasil, mas não quero morar mais aí.

Espero ainda ter leitores para os posts, afinal este não estava programado.

12
jan
Guerra – O ponto de vista diretamente de Israel

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Tenho certeza que você já leu muitas matérias em jornais; assistiu reportagens na TV, ouviu no rádio ou de pessoas conhecidas. Todo mundo tem opiniões sobre os conflitos no Oriente-Médio, todos têm algo a dizer.

Em geral, existem os que defendem os israelenses, os que defendem os árabes (sejam eles palestinos, libaneses, etc.) e, ainda, há os que são neutros.

Quando um conflito direto ocorre, como agora em Gaza, o bombardeio de notícias e imagens aterrorizantes é impressionante. Notícias conflitantes, antagônicas, confusas, exageradas, tendenciosas e, às vezes, até verdadeiras; imagens de crianças ensangüentadas, prédios destruídos, mães desesperadas; tudo isso causa um impacto muito grande e reforça opiniões ao mesmo tempo em que as muda. Este é apenas mais um texto sobre o conflito, ele será lido por muitas pessoas que irão discuti-lo, criticá-lo, desconsiderá-lo e até elogiá-lo. Não será definitivo nem exato, mas será imparcial até onde as informações do autor permitirem.

A intenção deste texto é bem definida: dar a você informação suficiente para que você tenha certeza de que sua opinião é realmente a sua opinião, e não apenas uma conseqüência do bombardeio de notícias que estão sendo veiculadas.

Eu moro em Israel há um ano e meio. Saí do Brasil por problemas de segurança; em 2005 sofri um assalto no Rio de Janeiro e fui ferido no joelho. Depois desse incidente decidi que não queria que meus filhos crescessem dessa maneira. Parece insensato sair de um país “em paz” como o Brasil e mudar para um país “em guerra” como Israel. A simples verdade é que me sinto mais seguro aqui.

O conflito Árabe-Israelense não é novo. O estado de Israel completou, em 2008, 60 anos de existência e, paralelamente, 60 anos de guerras. Todos esses conflitos são, no entanto, reflexos de um problema muito mais profundo, que se arrasta por muito mais tempo. Tentar definir uma razão para o conflito é querer simplificar demais as coisas, existem diversos motivos e várias faces do mesmo problema. Pretendo informar, apresentar fatos relacionados aos conflitos e tentar traçar os diversos motivos por trás dos mesmos; será difícil não esboçar uma opinião, mas tentarei fazer isso, deixando o juízo da questão para o leitor.

Guerras são feias. Não existe na história da humanidade uma única guerra que tenha sido bonita. Ao final de cada guerra temos, normalmente, o vitorioso e o derrotado. A versão do vencedor será a usada para contar a estória da guerra; e explicar para as gerações seguintes porque algo tão abominável aconteceu. Quando uma guerra não tem vencedores definidos a coisa se complica, pois as versões de cada lado coexistem, contraditórias, mutuamente exclusivas, cheias de meias-verdades e mentiras inteiras.

Cada lado procura mostrar apenas o que é interessante, deixando as coisas feias da guerra para o outro lado. Vou tentar mostrar, nessa série de matérias, alguns fatos e verdades por trás de todas as “versões” sobre o conflito Árabe-Israelense, desde o final do século 19 até hoje. Até lá…

26
set
Fantasmas existem?

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O primeiro herói a usar um uniforme no mundo dos quadrinhos foi criado em 1936 e foi batizado como Fantasma, a mesma denominação das figuras míticas que povoam o imaginário coletivo infantil. Ao mesmo tempo em que temem, as crianças se encantam com o contexto sobrenatural que envolve o que conhecemos como fantasmas. Buá!

Reza a lenda que o Fantasma não costuma falhar em seu combate ao crime. Ele não pode ser encontrado, é ele quem encontra os alvos de sua justiça cega. É conhecido como o Espírito-Que-Anda e se tornou justiceiro após ficar entre a vida e a morte após o ataque de piratas que vitimou seus familiares. A experiência trágica o tornou um protetor da floresta, um arquétipo do homem mortal, comum que desenvolve habilidades atléticas e passa a enfrentar seus inimigos no braço. E ele dá umas porradas certeiras com aquele anél em forma de caveira.

O juramento do Fantasma é, em minha concepção,  uma expressão fiel e clara da arte da época em que os quadrinhos nasceram:

“Devotarei minha vida ao combate de todas as forma de pirataria, cobiça e crueldade. E meus descendentes continuarão minha missão.”

Posso sentir aqui todo o clima quase religioso, paternalista e tradicional dos anos 30. Se você grava CDs e DVDs e fica distribuindo por aí, pode levar uma bela sova do Fantasma. Hoje, o inimigo da pirataria atende pelo nome de Rapa. Na 25 de Março, em SP, o Fantasma ficaria com o braço doendo de tanto distribuir porradas. Pula, Pirata!

O Fantasma é um personagem pioneiro, interessante e fashionista. Ou você acha que é fácil ser o primeiro a usar a cueca sobre as calças sem ser alvo de chacota dos engraçadinhos de plantão? Ponto para o Fantasma.

Mas esse papo de caveira, espírito que anda e fantasma me leva a uma questão onírica: os fantasmas existem?

Existem, meus amigos. Pior é que existem sim e rondam-nos quase freqüentemente. Cuidado! Um fantasma pode estar assombrando! Buááááááááááá! (versão remix).

Prepare o alho, azeite e a cebola (não sei se adianta muita coisa, mas foi o que eu encontrei aqui em casa hoje e já dá pra fazer um rascunho de salada) e acompanhe comigo as provas cabais da manifestação sobrenatural:

01. Fantasmas aparecem para buscar objetos perdidos. Se você pegou aquele CD emprestado em 1996 e ainda não devolveu, pay attention! Menos dia ou mais dia, o fantasma voltará, ávido e obcecado para reaver o produto seqüestrado. Quando menos esperar, sua campainha vai tocar enlouquecidamente. Ao abrir a porta, com olhos esbugalhados e uma voz assustadora, o fantasma declarará: “Devolve meu CD, vagabundo!” Não digam que eu não avisei.

02. Fantasmas emitem terríveis sinais na sexta-feira, ao final do expediente de trabalho. É noite, você já desligou seu micro, está guardando seus pertences, imaginando o sabor daquele breja gelada do happy hour e de repente um sinal macabro ecoa na sala: o seu telefone toca.

Por um momento, você finge estar desprovido do maravilhoso sentido da audição e torce para que o sinal fantasmagórico cesse. Ele não para e, ao vigésimo oitavo toque, você resolve atender, com um frio na espinha inconfundível. A voz não diz “Seven days”. É algo pior. Ela diz: “Quero esse job pronto em meia hora!” Não, você não está no filme O Chamado. O filme que você protagoniza agora é O Coitado! Ah, e a assombração aqui atende por um nome específico: chefe ou cliente. E você não vai receber hora extra!

03. Fantasmas querem acabar com seu novo affair (sim, affair é mais moderno e soa mais descolado que caso ou tico-tico-no-fubá). Entidade terrível e assustadora, esse tipo de entidade não pode ver que você está com um novo romance e fará de tudo para fazer sua parada miar.

O ataque ocorre assim: empolgado, você passa a ler títulos do Romance Júlia, como “Na relva, eu & você” e “Balanço do Amor (pendurados no lustre)” e decide, erroneamente, a colocar um nick apaixonado no MSN, dedicado ao novo affair.

Pra que? Pra que? É a brecha que o fantasma precisava! Primeiro, ele te manda um emoticon com uma piscadela bem tacanha e depois sugere um “replay”, um “remember”, como se ele nunca tivesse pisado na bola com você. Mas, para se livrar da perturbação assombrada, explique que ela já morreu e que agora está em outra dimensão, a dimensão chamada “cai fora, que a fila andou!”. Para evitar assombrações futuras, diga que você poderá fazer essa coisa tosca de replay daqui somente há umas 300 encarnações.

Bem, aqui foi um resumo das manifestações sobrenaturais mais freqüentes. Lembre-se que hoje é sexta-feira (maravilha!) e não se esqueça de pentear os cabelos e lavar o rosto pela manhã. Caso contrário, o fantasma poderá ser você. Buááááááá e ótimo fim de semana!

11
set
A mais pura arte do Universo HQ nasce no caos do 11 de Setembro.

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A arte entorpece a alma: ela captura o espírito de uma era, dispensa qualquer explicação racional e invade a mente do observador com singular inquietude e múltiplas sensações, as quais nem sempre conseguimos descrever nas linhas do Word.

A mais pura arte: este é o título que nomeio a edição do Homem-Aranha em memória da tragédia de 11 de Setembro (disponível para download limitado aqui no Com limão). A capa da comix não traz nenhuma referência do herói em ação. É um sinal de luto, um sinal que clama por silêncio e reflexão… como se nos convidasse a cruzar os limites do real e do surreal e nos transportar para o fatídico dia em que os Estados Unidos sofreram o ataque.

Tudo o que acontece está focado na ótica do Aranha e é incrivelmente tocante testemunhar o choque, a perplexidade e a dúvida estarrecedora que toma conta da alma do ícone das histórias em quadrinhos

É curioso que esta história carregada de emoção e drama seja justamente contada pelo Aranha. É como se o herói expiasse todo o sentimento de culpa por não conseguir chegar a tempo de impedir toda aquela cena desesperadora e horripilante. A culpa é um tema recorrente que atormenta a mente de Peter Parker, já que ele acredita ser o culpado pela morte do Tio Ben e da Gwen, assunto muito bem comentado e abordado pelos visitantes do ComLimão em posts anteriores.

Identificamos e admiramos os super-heróis pela capacidade de impedir tragédias, por representar a inquestionável vitória do bem sobre o mal. Desta vez, não foi assim. Não havia heróis, não havia vilões…todos deixam a identidade super-poderosa se perder frente ao terror cru dos atentados. E eu me surpreendi com o Doutor Destino, que não emite uma palavra sequer, mas rouba a cena como ninguém. Não quero estragar a expectativa de quem ainda não leu contando aqui, mas essa passagem é simples, breve, mas memorável.

Se você quer testemunhar uma obra-prima no mais literal sentido da palavra, a leitura desta HQ é mais que obrigatória. É um manifesto contra a intolerância e a covardia, ao mesmo tempo em que busca desesperadamente reerguer o Sonho Americano, muito bem representado pelo Capitão América, que a tudo assiste estarrecido, mas com uma moral e ética acima de qualquer tragédia.

* Evidentemente, este comix relata o lado americano da história e por isso é um tratado patriota, que exalta o senso de sobrevivência daquela nação e não preve a invasão das tropas americanas em países considerados como o “eixo do mal”, embora insinue uma possível resposta bélica do governo americano. Ao encerrarmos a leitura desta antológica história, cabe lembrar que em uma guerra não existem nações corretas ou incorretas: existe apenas morte, dor e perda de cidadãos que muitas vezes não concordam ou desejam participar de guerras sangrentas.

É evidente que o exército americano cometeu incontáveis atrocidades em países árabes, em nome da honra das vítimas do 11 de Setembro. Que estas vítimas possam ser lembradas não pela tragédia que sofreram e pelo derramamento de sangue que aconteceu em pról de seus nomes, mas sim pelo desejo de paz que ecoa por todo o planeta.

“Você queria mandar uma mensagem.
E, ao fazer isso, nos despertou do nosso sono.
Mensagem recebida. Nossa resposta virá pelo trovão.”

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1
jul
Design baseado em fóssil

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O que você acha de ter um produto que têm o seu design baseado em conchas fossilizadas? Esta é a proposta da Concrete Washbasin, uma pia em formato de fóssil, mas que por ter esse formato ajuda no escoamento da água.

Feita de concreto e medindo cerca de 330 cm de largura, o formato da pia é baseado nos Ammonites, uma espécia de cefalópodes (classe de moluscos marinhos a qual pertencem animais como os polvos e lulas) que viveu nos mares à aproximadamente 400 milhões de anos. Suas conchas, encontradas em todo o mundo, são adquiridas por colecionadores por altos valores.


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