Posts Tagged ‘Hq’

2
Nov
O dia em que os Vingadores caíram

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Finalmente, chegou às bancas o arco Vingadores: a queda, saga que conta o fim do célebre grupo de Super-Heróis formado por: Homem de Ferro (ele, sempre ele!), Capitão América (aplausos!), Homem-Formiga, Vespa, Gavião Arqueiro, entre outros.

A HQ surpreende ao mostrar um cenário catastrófico – sim, com a morte de alguns personagens relevantes – com um clima misterioso, no melhor estilo “quem será que está por trás destes ataques?”

Lançado lá fora em 2004, é impossível não associar a tragédia vingadora com os atentados de 11 de setembro. Estamos falando de referências sutis, mas elas estão lá, esperando para saltar à nossa mente e trazer uma sensação de dúvida e insegurança, como uma forma de captar a percepção psicológica dos heróis.

Em dado momento, você vai encontrar as diversas formações que o grupo tomou em todo o tempo de existência e vai se surpreender com a revelação do responsável pelas mortes.

Outro ponto legal é perceber que estas baixas podem ter uma relação direta com o arco da Invasão Secreta. Fica claro que tem dedo skrull aí e já conseguimos prever quais heróis – que voltam do mundo dos fantasmas para a vida sem menor explicação na Guerra Civil – são alienígenas disfarçados, né, Sr. Gavião Arqueiro?

Não perca a sessão flashback que faz uma verdadeira viagem por diversas fases dos Vingadores nas palavras dos próprios componentes. Loko demais! A diversidade das artes unida às lembranças de grandes batalhas é uma forte metalinguagem cronológica que vai fazer você se levantar da cadeira e vibrar com o revival.

Se há um paralelo aqui com nossa vida heróico-cotidiana, é, com certeza, o entendimento da realidade. A distorção da verdade, a ilusão é o motivador de tantos desencontros, apego e confusões. É algo que, se pararmos para refletir, tem muito a ver com o padrão de felicidade que nos é imposto pela mídia e pelos discursos sociais. Trata-se de um retrato de como os modelos de sucesso e plenitude que nos fazem acreditar - e que muitas vezes podem não ser alcançados – trazem mais decepção que alegria.

Evidentemente, temos objetivos que desejamos alcançar e devemos empregar esforço para alcançá-los. Mas vale a pena adotar uma postura pessimista que nada somos se não atingirmos uma única meta? E as tantas outras metas que pareciam inatingíveis e que foram galgadas… elas perderam o valor?

Quero dizer aqui que todos os dias conquistamos vitórias, mesmo que pequenas, mas a limitação de visão nos faz enxergar só aquele objetivo longínquo e, de forma deturpada, julgamos que somente seremos felizes quando chegarmos lá.

Acreditar que a felicidade está lá fora e no futuro é o mesmo que aprisionar a mente em uma cela voluntária: você tem a chave para sair e ver o horizonte, mas sem perceber, prefere ficar no canto escuro da prisão, esperando que um emprego, um amor ou sei lá o quê liberte você. Mas nada disso poderá te salvar: só você pode.

31
Out
É Halloween no Com Limão!

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Buuuuuáááááááá! E hoje é o Dia das Bruxas aqui no Com Limão! E para comemorar tal data, vale à pena colocar no seu Ipod o hit Fear of the dark, do Iron Maiden.

Um pouco de história – A celebração do Halloween tem origem na cultura celta, há mais de 2.500 anos. O povo da época acreditava que no dia 31 de outubro, os espíritos saiam do cemitério (misericórdia!!!) com o objetivo de ocupar o corpo dos vivos. E para assustar os fantasmas intrometidos, os celtas enfeitavam as casas com objetos decorativos – e de gosto duvidoso – como: caveiras e abóboras decoradas.

Na Idade Média, o bicho pegou e o Halloween passou a ser considerado heresia, devido ao seu caráter pagão. E quem o celebrasse, se tornava candidato à caveira decorada no ano seguinte, já que a condenação para tal ato proibido era queimar na fogueira da Inquisição. E rumores dão conta que o feriado de Finados foi criado pela Igreja com o objetivo de diminuir a influência do paganismo na Europa medieval.

Aqui e agora, no século XXI, a liberdade de pensamento contemporânea me permite ler Crise Infinita – Dia das Bruxas Especial, lançada pela Panini com a chamada marqueteira “O terror espreita o universo DC!”. Sim, a intervenção a venda por R$ 6,66 (misericórdia parte 2) tem um ar bem caça-níquel, denunciando que foi lançada com puro objetivo de capitalizar em cima da data comemorativa.

Mas qual é o problema? A coletânea de 13 histórias assombradas é divertida e tem foco na narrativa dos vilões presos no Asilo Arkham antes de uma fuga. E, ignorando a crise financeira americana ou a vitória de Kassab na prefeitura de SP, os malfeitores decidem, individualmente, contar histórias do dia das bruxas para passar o tempo. E dá-lhe lobisomens, Batman vampiro, Kelpies (criaturas do folclore celta), passando por zumbis e uma abóbora sinistra.

Os momentos mais terrivelmente cool são: o embate entre Aquaman e as Kelpies e a participação do Robin perseguindo uma gangue justiceira de lobisomens. E não percam a vingança da heroína Zatanna contra um bando de moleques mal intencionados. A história intitulada Estranha Carga – que tem a participação de Lois Lane, Jimmy Olsen e Superman – conta com o roteiro de Steve Niles, conhecido pelo trabalho em 30 Dias de Noite.

Se você não vai para a festa à fantasia no seu bairro na sexta-feira ou não marcou um happy hour com os amigos do trabalho, o Especial Dia das Bruxas da DC é uma opção legal para comemorar o Halloween. Buuuááááááá!

18
Out
O embate de Thor em nome da Verdade

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Estratégia da indústria cultural: para garantir mais um blockbuster nas telonas, a Marvel investiu fortemente na revitalização de imagem de um dos seus personagens clássicos. Foi assim com o Hulk e o Homem de Ferro e agora é o momento do mitológico Thor voltar ao mundo dos vivos e reconfigurar o cenário da nona arte.

A ressurreição divina do deus do trovão não foi carregada em sua mitologia, mas ocorreu de forma apoteótica, no encontro entre Donald Blake e Thor no vazio da não-existência. Blake determina que o deus do trovão voltará à vida, pois considera que não cabe aos deuses decidirem se os homens existem ou não e sim, os homens que decidem sobre a existência ou não dos deuses. É um argumento iluminista / vanguardista, ao passo em que prega que o homem possui, dentro de si, um deus em potencial.

Thor reconstrói Asgard e, em sua profunda solidão, sai à procura de seus amigos, perdidos entre os humanos. Curiosamente, inicia sua busca em uma Nova Jersey devastada por um furacão, e encontra justamente ele, o desagradável Homem de Ferro. Ninguém merece.

O que vem a seguir é uma sova bem dada que detona a armadura de Tony Stark e um embate ético muito oportuno a respeito de poder e egocentrismo: ao protestar sobre o fato do Homem de Ferro caçar seus antigos amigos em nome da Lei do Registro, Thor indigna-se com a construção de um clone seu pelas mãos de Stark. Este clone, inclusive, foi o responsável pela morte do herói anti-registro Golias, no calor da Guerra Civil.

Em tempos de inesgotável competitividade e consumismo desenfreado, a ética parece ter se tornado uma palavra arcaica, em desuso. Porém, é através dela que conseguimos não somente diferenciar o certo do errado, mas também comprovarmos o caráter de alguém.

Certa vez, um grande professor da faculdade me disse: “se você quer conhecer o caráter de alguém, dê-lhe um pouco de poder”. A forma como uma pessoa trata um garçom, uma faxineira ou um porteiro de prédio revela muito o caráter desse indivíduo. Não que estes profissionais estejam na margem inferior, em um degrau menos elevado; quem acredita nisso vive em uma bolha de ilusões e ignorância sem proporções.

Algumas pessoas acreditam que a melhor forma de defesa em relação a um comportamento antiético é o ataque. Mas, a melhor forma de defesa sempre será a Verdade. Ela não permite distorções ou falsos argumentos: a Verdade ilumina a consciência e cega os olhos da deturpação de uma forma decisiva, eliminando qualquer possibilidade de argumentação ou sustentação por parte do indivíduo não comprometido com a justiça.

E em nome da Verdade que Thor defende em sua soberania de deus, ele deu esta surra ética em Stark, a qual eu acredito que tenha doido mais que as porradas que o enlatado merecidamente levou:

“Você tomou meu código genético e, sem minha permissão, usou-o para criar uma abominação… e disse que aquilo era eu. Você profanou meu corpo, desrespeitou minha confiança, violou tudo que sou. É assim que define amizade? É assim?”

10
Out
As possíveis, e indispensáveis, adaptações de HQs nas telonas – Parte II

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Dando seqüência ao nosso especial sobre os heróis que tem tudo para conquistar Hollywood, apresento a vocês mais heróis prontos – ou quase – para invadir as telas:

- Homem de Ferro: esta seqüência é mais que certa: será lançada em maio de 2010 e, entre outros aspectos, vai mostrar as conseqüências da exposição de Tony Stark em assumir ser o Homem de Ferro e abordará a inclinação do herói para a bebida. O vilão da vez? Essa você e todo o planeta já devem saber: o Mandarim vem com tudo para cima do pudim de pinga enlatado.

- Demolidor: a crítica malhou o primeiro filme do Homem Sem Medo, embora sua linguagem de videoclipe é uma forma surpreendente de retratar a mente conturbada do Matt Murdock. Em tempos de retomada de imagem de heróis dados como fiasco no passado – vide Batman e Hulk que deram a volta por cima – tudo indica que a continuação do Demolidor tem tudo para virar. E assim seja. All I want is justice!

- Batman: frisson nas telonas, o sucesso do Cavaleiro de Trevas garante brevemente mais uma aventura do Homem-Morcego e a escolha dos vilões giram em torno de nomes como Mulher-Gato, Charada, Pingüim e o próprio Coringa. Depois da interpretação do Heath Ledger, Batman vai precisar de um ator muito, mas muito bom e um vilão incomparável para conseguir superar o Palhaço do Crime, no filme de 2008.

- Homem-Formiga: rumores cercam a possibilidade desta adaptação, frente ao relevante papel do herói com poderes de encolhimento nas HQs dos Vingadores. Mas até agora, nada é confirmado e a possibilidade de ser um fiasco nas telas não foi descartada por Hollywood. Boa sorte para o diretor que topar o desafio.

- Os Vingadores: é considerado o Grande Filme de 2011 – o que justifica a correria da DC em escolher corretamente e produzir algo que possa competir à altura – e até agora tem apenas a escalação heróica confirmada de Homem de Ferro, Hulk, Thor, Capitão América e Homem-Formiga. O Doutor Destino já foi descartado como vilão principal. A idéia é trazer um vilão que possa ser detido apenas com a união de forças da equipe vingadora. Se o Destino não é tão fucker assim, quem seria?

- The Spirit: em janeiro ele chega no Brasil e o trailler já foi amplamente divulgado. Mas eu sempre torço o nariz para linguagens cinematográficas que se repetem: sei que é moderno e inovador, mas me soou Sin City demais. Espero estar errado. De qualquer forma, abaixo você confere o trailler aqui no Com Limão.

5
Out
As possíveis, e indispensáveis, adaptações de HQs nas telonas – Parte I

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Antes de começar a ler, pegue seu MP3 player e coloque o hit “Cinema”, do Ice MC para tocar. Tem tudo a ver com o texto que vem a seguir: uma compilação dos heróis de HQs que estão na mira dos produtores da indústria cinematográfica.

-Watchmen: março de 2009 está aí e esse promete ser um blockbuster antológico em termos de HQs no cinema. Para se ter uma idéia, o primeiro filme nem saiu nos EUA e o estúdio já planeja um segundo, dando como certa o estouro nas bilheterias. Um dos trunfos de Watchmen será a construção e a edição das lutas, retratadas como violentas, mas como obras primas de movimento e sincronismo. Outro coringa na manga é a inserção dos créditos, que promete colocar o expectador em transe, transportando-o para o universo dos heróis. Essa eu não perco por nada.

- Super-Homem: mesmo com um fiasco cinematográfico no currículo, é obvio que o maior ícone da DC vai voltar com um filme até 2011. Não espere romance com a Louis: os produtores já avisaram que a temática terrorista, sombria e totalmente eficaz que vimos este ano com Batman vai tomar conta do enredo do Homem de Aço. Brainiac e Bizarro, conto (e torço) com a presença de vocês!

- Homem-Aranha: pouco se sabe sobre o novo – e aguardado – filme do aracnídeo responsável pela retomada do gosto de Hollywood pelo universo das HQs. Com o mesmo elenco sendo confirmado aos poucos, uma aposta é a presença do Homem-Lagarto como próximo vilão central (seria show de bola!)

- Mulher-Maravilha: deveria ter seu nome trocado para Mulher-Paciência, já que enrolaram essa moça demais e ainda continuam enrolando. O obstáculo jamais comentado, mas muito claro, é a questão dos filmes protagonizados por mulheres não garantirem sucesso de bilheterias, como a Mulher Gato e Elektra. O que é preciso colocar na balança é que, ao contrário da justiceira da Marvel e da paga pau do Batman, a Wonder Woman é um ícone do feminismo e tem tudo para trazer a mulherada para o cinema. Mas nada como Sex and the city, por favor!

- Flash: por enquanto, o grande herói tem boas perspectivas apenas nas HQs. No cinema, ele está mais frio que o Homem de Gelo, embora seja uma alternativa a ser considerada pela DC para lançamento até 2011. Deixa o Flash correr nas telas!

- Thor: com estréia prevista para 2010, o deus de Asgard promete trazer um roteiro focado, obviamente, em sua origem. Quero muito ver um vilão do naipe do Loki e torço para que a linguagem cinematográfica não siga a pegada de 300 (não que 300 tenha sido um filme ruim, mas há diversas outras formas de abordar a mitologia do Thor sem recorrer à linguagem épica que já foi tanto explorada em filmes que o antecede).

- Wolverine: previsto para estrear em maio de 2009, o mutante mais cool dos X-Men vai ter sua origem contada e será o anfitrião de participações de outros ilustres personagens, como a sedutora Raposa Prateada e o celebre Gambit (aeee!)

- Lanterna Verde: É a chance da DC na luta contra as poderosas adaptações da Marvel que vem por aí. É uma homenagem que o Lanterna merece e representa a concretização do sonho dos seus fãs. Projetos pilotos indicam um filme de origem contando a história da transformação de Hal Jordan no Gladiador Esmeralda, além de apresentar a Tropa dos Lanternas. Bem que poderia fazer um paralelo com a desmoralização ditatorial do Sinestro enquanto membro da tropa, transformando-o no arquétipo malfeitor e defensor do medo como forma de controle. Mas é melhor irmos com calma, enquanto tudo é boataria futebol clube.

- Capitão América: as citações feitas ao supersoldado no filme do Homem de Ferro fazem uma parte de uma estratégia inteligentíssima que criou todo um clima de expectativa. Uma série de atores foi apontada para viver o ícone dos quadrinhos, mas nenhum nome ainda é oficial. Porém, 2011 é o ano do Capitão: ele vai detonar as telas no filme solo (em maio) e depois participará dos Vingadores (em julho). Eu prometo entrar no cinema de joelhos se isso acontecer!

* Na parte 2 deste especial, você confere o status dos Vingadores, Batman, Homem de Ferro, The Spirit, entre outros. Conhecer o futuro cinematográfico do seu herói preferido no Com Limão é bem mais gostoso.

2
Out
Top Five: vilões que amamos odiar

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Depois do nosso Top Five Heroínas, postado no It´s all…Girl Power!, vamos visitar agora os grandes vilões das comix. Claro que temos uma série de vilões que amamos odiar. E temos também uma sugestão de hit bem anos 80 para acompanhar este post: Bad, do Michael Jackson.

Geralmente, os malfeitores roubam a cena e as páginas das HQs, tornando-se verdadeiros ícones ao contrário. E tamanha importância na nona arte só poderia render a nossa homenagem aos seguintes bandidos clássicos:

05. Duende Verde – clássico inimigo do Homem-Aranha, Norman Osborn é o responsável pela morte do grande amor de Peter Parker, Gwen Stacy. Não bastasse protagonizar a execução, o Duende ainda conseguiu que o Aracnídeo dividisse com ele a responsabilidade do fim de Stacy: ao jogá-la de uma ponte, seu pescoço foi quebrado durante a tentativa desesperada do Aranha em tentar deter a queda. Recentemente, o vilão assumiu a direção dos Thunderbolts, grupo de psicopatas recrutados pelo governo para literalmente caçar os heróis clandestinos em tempos de Guerra Civil.

04. Libra – Esse esquecido vilão volta com tudo na tão celebrada saga Crise Final da DC. Em busca de componentes para uma nova Liga de Vilões, Libra passa a persuadir diversos criminosos a participar do malvado grupo, prometendo realizar os desejos dos malfeitores que toparem a empreitada. De primeira, Libra vai atender a um destes pedidos, repercutindo na morte de um ícone da Liga da Justiça e na formação da Sociedade Secreta dos Super-Vilões. Grave o nome de Libra na sua agenda: ele será muito comentado na saga que promete virar o universo DC de ponta cabeça. Eu gosto desta tendência de tirar vilões da obscuridade e trazê-los para grandes papéis em sagas importantes.

03. Coringa – É redundante dizer que o palhaço do crime conquistou as telas de cinema este ano na pele do Heath Ledger e roubou a cena de Batman Knight. Porém, o brilho insano deste vilão torna as aventuras do Homem-Morcego emocionantes desde 1940, ano de sua primeira aparição nas HQs. O Coringa é responsável pelo assassinato de Jason Todd, o segundo Robin. A maldade pode ser conferida no clássico Morte em Família, de 1988. Muito se fala que a morte de Robin foi uma resposta da DC aos leitores em relação a pouca aceitação do substituto de Dick Grayson, que na época assumia o papel de Asa Noturna, dos Novos Titãs. Frase memorável do Coringa: “Veja, eu sou um homem de gostos simples. Eu gosto de pólvora, dinamite e gasolina! Você sabe o que essas coisas tem em comum? Elas são baratas!”

02. Homem de Ferro: mas ele combate o crime! Vai explicar isso para os heróis que não aceitaram revelar suas identidades secretas ao governo americano. Tony Stark encabeçou a frente dos heróis registrados e tomou para si a responsabilidade de convencer e deter os heróis que foram contra a Lei de Registro. Para um fã de HQ como eu, é difícil admitir, mas Stark é considerado um traidor da causa super-heróica, principalmente após assumir a direção da Shield e sua cabeça passou a ser disputada a prêmio por personagens como Hulk e Soldado Invernal. Muitos fóruns de quadrinhos elegeram o Homem de Ferro como maior vilão das HQs de 2007 graças ao seu posicionamento (anti)ético durante a Guerra Civil.

01. Adolf Hitler: sim, um dos maiores algozes da história mundial ganha aqui medalha de ouro como maior vilão das HQs. Ao influenciar a arte com suas ações bélicas e desumanas, Hitler provou ser um vilão de patamar incomparável ao popularizar os campos de concentração e o holocausto. Tamanha falta de compaixão fez com que o alemão transcendesse a realidade, saltando diretamente para a capa de inúmeras HQs no período da Segunda Guerra Mundial, época em que todos os super-heróis tinham como objetivo capturar e cessar as ações nazistas.

A primeira capa de Captain America Comix apresenta o herói dando um belo soco no bigodudo. E o Superman também acertou as contas com o ditador em fevereiro de 1940, quando capturou Hitler e Stalin, levando-os para um julgamento na Liga das Nações. E não podemos esquecer que o nascimento de Hellboy é fruto de uma cerimônia nazista com o objetivo de usá-lo como arma na decisão na Guerra.

Como de costume, este podium não é definitivo, já que contamos com uma série de vilões celebres, como Brainiac, Lex Luthor, Doutor Destino, Doutor Octopus, Magneto, Charada, Bizarro, Mulher Gato…

Para colocar na agenda: Para você que curte HQ, não perca a décima quinta edição da Comix Fest, evento que ocorrerá em São Paulo e é promovido pela Comix Book Shop:

15ª Fest Comix de 17 a 19 de Outubro de 2008.
Horário: 17 e 18 de Outubro das 10h às 20h / 19 de Outubro das 10h às 18h
Local: Centro de Eventos São Luís – Colégio São Luís
Rua Luís Coelho, 323  — Estação Consolação do Metro – São Paulo
Entrada: R$ 10,00 - Meia entrada para estudantes: R$ 5,00

26
Set
Fantasmas existem?

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O primeiro herói a usar um uniforme no mundo dos quadrinhos foi criado em 1936 e foi batizado como Fantasma, a mesma denominação das figuras míticas que povoam o imaginário coletivo infantil. Ao mesmo tempo em que temem, as crianças se encantam com o contexto sobrenatural que envolve o que conhecemos como fantasmas. Buá!

Reza a lenda que o Fantasma não costuma falhar em seu combate ao crime. Ele não pode ser encontrado, é ele quem encontra os alvos de sua justiça cega. É conhecido como o Espírito-Que-Anda e se tornou justiceiro após ficar entre a vida e a morte após o ataque de piratas que vitimou seus familiares. A experiência trágica o tornou um protetor da floresta, um arquétipo do homem mortal, comum que desenvolve habilidades atléticas e passa a enfrentar seus inimigos no braço. E ele dá umas porradas certeiras com aquele anél em forma de caveira.

O juramento do Fantasma é, em minha concepção,  uma expressão fiel e clara da arte da época em que os quadrinhos nasceram:

“Devotarei minha vida ao combate de todas as forma de pirataria, cobiça e crueldade. E meus descendentes continuarão minha missão.”

Posso sentir aqui todo o clima quase religioso, paternalista e tradicional dos anos 30. Se você grava CDs e DVDs e fica distribuindo por aí, pode levar uma bela sova do Fantasma. Hoje, o inimigo da pirataria atende pelo nome de Rapa. Na 25 de Março, em SP, o Fantasma ficaria com o braço doendo de tanto distribuir porradas. Pula, Pirata!

O Fantasma é um personagem pioneiro, interessante e fashionista. Ou você acha que é fácil ser o primeiro a usar a cueca sobre as calças sem ser alvo de chacota dos engraçadinhos de plantão? Ponto para o Fantasma.

Mas esse papo de caveira, espírito que anda e fantasma me leva a uma questão onírica: os fantasmas existem?

Existem, meus amigos. Pior é que existem sim e rondam-nos quase freqüentemente. Cuidado! Um fantasma pode estar assombrando! Buááááááááááá! (versão remix).

Prepare o alho, azeite e a cebola (não sei se adianta muita coisa, mas foi o que eu encontrei aqui em casa hoje e já dá pra fazer um rascunho de salada) e acompanhe comigo as provas cabais da manifestação sobrenatural:

01. Fantasmas aparecem para buscar objetos perdidos. Se você pegou aquele CD emprestado em 1996 e ainda não devolveu, pay attention! Menos dia ou mais dia, o fantasma voltará, ávido e obcecado para reaver o produto seqüestrado. Quando menos esperar, sua campainha vai tocar enlouquecidamente. Ao abrir a porta, com olhos esbugalhados e uma voz assustadora, o fantasma declarará: “Devolve meu CD, vagabundo!” Não digam que eu não avisei.

02. Fantasmas emitem terríveis sinais na sexta-feira, ao final do expediente de trabalho. É noite, você já desligou seu micro, está guardando seus pertences, imaginando o sabor daquele breja gelada do happy hour e de repente um sinal macabro ecoa na sala: o seu telefone toca.

Por um momento, você finge estar desprovido do maravilhoso sentido da audição e torce para que o sinal fantasmagórico cesse. Ele não para e, ao vigésimo oitavo toque, você resolve atender, com um frio na espinha inconfundível. A voz não diz “Seven days”. É algo pior. Ela diz: “Quero esse job pronto em meia hora!” Não, você não está no filme O Chamado. O filme que você protagoniza agora é O Coitado! Ah, e a assombração aqui atende por um nome específico: chefe ou cliente. E você não vai receber hora extra!

03. Fantasmas querem acabar com seu novo affair (sim, affair é mais moderno e soa mais descolado que caso ou tico-tico-no-fubá). Entidade terrível e assustadora, esse tipo de entidade não pode ver que você está com um novo romance e fará de tudo para fazer sua parada miar.

O ataque ocorre assim: empolgado, você passa a ler títulos do Romance Júlia, como “Na relva, eu & você” e “Balanço do Amor (pendurados no lustre)” e decide, erroneamente, a colocar um nick apaixonado no MSN, dedicado ao novo affair.

Pra que? Pra que? É a brecha que o fantasma precisava! Primeiro, ele te manda um emoticon com uma piscadela bem tacanha e depois sugere um “replay”, um “remember”, como se ele nunca tivesse pisado na bola com você. Mas, para se livrar da perturbação assombrada, explique que ela já morreu e que agora está em outra dimensão, a dimensão chamada “cai fora, que a fila andou!”. Para evitar assombrações futuras, diga que você poderá fazer essa coisa tosca de replay daqui somente há umas 300 encarnações.

Bem, aqui foi um resumo das manifestações sobrenaturais mais freqüentes. Lembre-se que hoje é sexta-feira (maravilha!) e não se esqueça de pentear os cabelos e lavar o rosto pela manhã. Caso contrário, o fantasma poderá ser você. Buááááááá e ótimo fim de semana!

23
Set
Construindo nossas próprias Sagas

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Galera, hoje meu post sobre HQ será um pouco diferente dos demais. Geralmente, traço alguns paralelos das comix com a realidade. Mas a mensagem hoje não será metafórica. Ela será bem simples e tem o objetivo de conduzi-los por um caminho claro, sem bifurcações ou dúvidas.

Quero convidá-los a viver suas próprias Sagas. Ou Lendas Pessoais, se preferirem chamar assim. Eu entendo que as Sagas são eventos seqüenciais que redefinem todo o cenário em que os personagens estão inseridos. Quando uma Saga começa, a única coisa que sabemos que mudanças irreversíveis acontecerão e que um herói será conduzido a um novo patamar. A falta de certezas pode assustar, mas também dá ânimo e sentido para a história que será contada.

Quando sugiro para viverem suas Sagas, eu peço para que deixem de enxergar a vida de longe, de uma arquibancada longínqua, assistindo o show de longe, como se não fizéssemos parte da canção que está tocando, como se os acordes que escutamos não fossem nossos sentimentos. Nunca teremos todas as certezas, mas podemos fazer o melhor com nossas dúvidas: transformá-las em objetivos.

Não deixem o tempo passar como uma simples tarde fria de domingo. A hora de transmutar a nossa história (em quadrinhos, se você preferir) é agora. Só no agora temos o poder de receber as virtudes e chances que tanto sonhamos, mas que algumas vezes não temos coragem de encarar e viver.

Se a sua Saga pessoal tem enredo sentimental, comece agora a falar sobre amor a quem você quer do seu lado. Se a sua Saga é aventureira, prepare a mochila e leve o mapa consigo… Evidentemente, algumas transformações são paulatinas, não ocorrem em um piscar de olhos. As sagas também precisam de tempo para se desenvolver e o importante é sempre, todos os dias, dar um passo na construção rumo ao objetivo. É o objetivo que dá sentido às nossas vidas. Não há mais como desperdiçar energias negando-o.

Perdoem a objetividade, a falta de rodeios. Sei que alguns considerarão este texto uma ousadia fortemente alcoólica em tempos de Lei Seca e cada um terá uma interpretação pessoal a respeito. Positiva ou não.

Algumas coisas transcendem as forças das palavras.  E que este convite de coragem e clareza de visão esteja com você durante todo o dia de hoje.

Nota do victor: A imagem que ilustra este post faz parte da adaptação em quadrinhos da série de livros A Torre Negra, de Stephen King. Uma verdadeira saga!

14
Set
A incerteza sobre o Super-Homem

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Vamos começar esse post escutando “Superman”, do rapper (desaparecido) Eminem.

Eu não tenho dúvidas: ao lado de Batman, Super-Homem é um dos nomes mais relevantes do Universo DC. Sua capa vermelha e uniforme azul inspira gerações desde o final da década de 30. Até aqui, tudo é seguramente óbvio. Trivial.

Porém, uma incerteza rompe este cenário tranqüilo: fora do território das HQs, quão relevante o Homem de Aço está sendo nesta geração?

Assim como vocês, eu sou devoto do último homem de Krypton, mas observo que na cultura pop contemporânea, ele está cedendo espaço para figuras como Wolverine, Homem Aranha e o próprio Batman.

Eis aqui algumas hipóteses desta teoria conspiratória:

- Wolverine: em 1939, os autores defenderam, nas páginas dos quadrinhos, a possibilidade de um futuro povoado por Super-Homens, alegando que as formigas possuíam enorme força e o impacto dos saltos dos gafanhotos poderiam ser potencializados e transformados em vôo.

É claro que estamos tratando de um contexto de cerca de 70 anos atrás, dentro do apelo lúdico e puro da Era de Ouro dos Quadrinhos. Wolverine, por sua vez, dialoga com a realidade atual por ser um mutante fruto de experimentos com adamantium. É algo que reforça toda a discussão sobre ética e limites que a ciência moderna pode alcançar, uma vez que assuntos como células-tronco, alteração de DNA e clonagem tomam as páginas de ensaios científicos.

E Wolverines prontos para mostrar as garras metálicas sem necessidade aparente são mais fáceis de encontrar por aí. É só observar comportamentos durante horários em que o trânsito está congestionado. Aparecem vários, quase simultaneamente. E muitas vezes deixam marcas em forma de buzinas ensurdecedoras e palavrões impronunciáveis no Com Limão.

- Homem Aranha: por mais que possamos entender a tristeza extraterrestre de Clark ao ver o pôr-do-sol avermelhado no horizonte, a solidão e culpa que Peter Parker carrega é essencialmente humana. A inadequação de Super-Homem tem a motivação de quem está se adaptando a uma nova realidade, a uma nova comunidade (terráqueos).

A inadequação de Peter não tem motivos que a justifique. Ele é incompreendido pela comunidade da qual faz parte naturalmente. O senso de incompreensão que Peter está submetido é mais fácil de percebermos e solidarizarmos.

- Batman: Bruce combate o crime em resposta ao sofrimento imposto em sua infância, em decorrência do assassinato dos seus pais: vingança. Clark foi acolhido por camponeses e defende os humanos como, diríamos, por gratidão à espécie que o recebeu. Em tempos de Gil Rulgai, Isabela Nardoni, Bin Laden e George Bush, a dor da vingança está mais exposta, popularizada e dialoga com maior velocidade nos noticiários diariamente.

Em parte, isso ajuda a explicar um Batman que detonou as bilheterias dos cinemas enfrentando um Coringa anárquico, inconseqüente e terrorista comparado com a recepção morna em relação ao roteiro romântico e da presença de um Lex Luthor sóbrio, inteligente e previsível de Superman Returns. Não acredito que o Coringa teria tanta projeção como tem hoje se fosse retratado nas telas como um palhaço, cuja arma fosse um pó para fazer rir.

Um momento! Super-Homem conta um imprescindível trunfo: ele foi criado como nós, mas jamais será um terráqueo. Sua proteção causa admiração porque é fruto também de uma necessidade de aceitação, de pertencer a um grupo, a uma tribo. E isso todos nós fazemos: buscamos nos reunir com nossos semelhantes, seja através do estilo musical, da escolha acadêmica ou blog predileto.

Esse anseio por associação torna o Homem de Aço tão humano que o aproxima e mistura sua personalidade super poderosa com cada um de nós.

Minhas fichas estão todas apostadas no importante papel que Super-Homem está desempenhando na saga Crise Final. Por isso, não entrego a vocês hoje uma conclusão certeira e segura. Entrego a vocês a sugestão de um levante em prol da relevância do herói na atualidade.

11
Set
A mais pura arte do Universo HQ nasce no caos do 11 de Setembro.

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A arte entorpece a alma: ela captura o espírito de uma era, dispensa qualquer explicação racional e invade a mente do observador com singular inquietude e múltiplas sensações, as quais nem sempre conseguimos descrever nas linhas do Word.

A mais pura arte: este é o título que nomeio a edição do Homem-Aranha em memória da tragédia de 11 de Setembro (disponível para download limitado aqui no Com limão). A capa da comix não traz nenhuma referência do herói em ação. É um sinal de luto, um sinal que clama por silêncio e reflexão… como se nos convidasse a cruzar os limites do real e do surreal e nos transportar para o fatídico dia em que os Estados Unidos sofreram o ataque.

Tudo o que acontece está focado na ótica do Aranha e é incrivelmente tocante testemunhar o choque, a perplexidade e a dúvida estarrecedora que toma conta da alma do ícone das histórias em quadrinhos

É curioso que esta história carregada de emoção e drama seja justamente contada pelo Aranha. É como se o herói expiasse todo o sentimento de culpa por não conseguir chegar a tempo de impedir toda aquela cena desesperadora e horripilante. A culpa é um tema recorrente que atormenta a mente de Peter Parker, já que ele acredita ser o culpado pela morte do Tio Ben e da Gwen, assunto muito bem comentado e abordado pelos visitantes do ComLimão em posts anteriores.

Identificamos e admiramos os super-heróis pela capacidade de impedir tragédias, por representar a inquestionável vitória do bem sobre o mal. Desta vez, não foi assim. Não havia heróis, não havia vilões…todos deixam a identidade super-poderosa se perder frente ao terror cru dos atentados. E eu me surpreendi com o Doutor Destino, que não emite uma palavra sequer, mas rouba a cena como ninguém. Não quero estragar a expectativa de quem ainda não leu contando aqui, mas essa passagem é simples, breve, mas memorável.

Se você quer testemunhar uma obra-prima no mais literal sentido da palavra, a leitura desta HQ é mais que obrigatória. É um manifesto contra a intolerância e a covardia, ao mesmo tempo em que busca desesperadamente reerguer o Sonho Americano, muito bem representado pelo Capitão América, que a tudo assiste estarrecido, mas com uma moral e ética acima de qualquer tragédia.

* Evidentemente, este comix relata o lado americano da história e por isso é um tratado patriota, que exalta o senso de sobrevivência daquela nação e não preve a invasão das tropas americanas em países considerados como o “eixo do mal”, embora insinue uma possível resposta bélica do governo americano. Ao encerrarmos a leitura desta antológica história, cabe lembrar que em uma guerra não existem nações corretas ou incorretas: existe apenas morte, dor e perda de cidadãos que muitas vezes não concordam ou desejam participar de guerras sangrentas.

É evidente que o exército americano cometeu incontáveis atrocidades em países árabes, em nome da honra das vítimas do 11 de Setembro. Que estas vítimas possam ser lembradas não pela tragédia que sofreram e pelo derramamento de sangue que aconteceu em pról de seus nomes, mas sim pelo desejo de paz que ecoa por todo o planeta.

“Você queria mandar uma mensagem.
E, ao fazer isso, nos despertou do nosso sono.
Mensagem recebida. Nossa resposta virá pelo trovão.”

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