Posts Tagged ‘Quadrinhos’

23
abr
E Deus disse: Will Eisner!

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Pra começar esta série de posts, não é preciso ir longe. Will Eisner está para mim e muitos, como Mozart para a música, como Senhor Miyagi para o Karatê, como o Imperador Palpatine para o Papa. O canonizado santo dos quadrinhos, que nos levou a milhões de novos patamares não pode ser lido e observado de uma só vez, numa ida à livraria. E é por isso, também, que não resumirei os posts sobre ele em um só. Acho que é a perfeita oportunidade de analisar a obra desse gigante aos poucos, para que eu também possa crescer.

Como já dizia um professor meu: “não é um curso que vai te fazer grande. É o quanto você aproveita dos conceitos básicos que lhe são passados”. E sua obra é o melhor exemplo disso. Quebrar barreiras foi seu ofício, ao longo dos anos. Podemos ver isso quando encontramos a gravura de uma pedra com um letreiro do enunciado de uma página, guarnecido de trincados, simulando uma lápide, ao anunciar uma história ou evento triste, ou quando o espaço entre quadros – ou sua ausência – nos dá diferentes noções de tempo e espaço.

Qual a expressão que uma cena pode ter, segundo várias formas de iluminação em cima do mesmo personagem, sem alterar sua fala ou movimento? Isso, e um universo a mais. Estudar Eisner é o mesmo que libertar a mente da Matrix, e é assunto primordial em qualquer escola de quadrinhos.

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Falando do homem:

William Erwin Eisner nasceu em Nova Iorque, em 06 de maio de 1917, e faleceu em 03 de Janeiro de 2005. Ávido pela leitura, cresceu lendo tirinhas de jornal, o que o levou a seu primeiro emprego: entregador de jornais. Procurou isso para que pudesse ler o máximo que podia. Sua fome pelo saber o iniciou em filosofia e literatura, e refinou sua mente, de mãos dadas com a época em que cresceu, sob a tutela de pais judeus, lembrando que entre 1917 e hoje, temos a Primeira e Segunda Grandes Guerras, num país como os EUA, marcado por elas de forma pesada.

Começou sua carreira artística numa época fértil para os quadrinhos, dentro de sua pequena empresa, chamada Eisner & Iger, pela qual procurava atingir os mais diversos temas e estilos, objetivando o mercado mais forte, então, o de Jornais. Entre os artistas que passaram pela empresa como empregados, estão Bob Kane (criador do Batman), Jack Kurtzberg (vulgo, mais tarde, Jack Kirby, co-criador do Homem Aranha e do Quarteto Fantástico), entre outras lendas.

Em sua longa tragetória de mais de 70 anos de carreira, pôde ver sua arte difundir-se e florescer, indo do nascimento, nas tirinhas, à era digital, tendo seu ponto mais alto quando seu nome foi dado a definir o Oscar dos Quadrinhos. O Prêmio Eisner, entregue anualmente aos melhores do ramo da “Arte Seqüencial”,  termo criado pelo próprio, não só deixando mais bonito do que gibi e tirinha, mas ajudando a arte em questão a ser tratada como coisa séria.

Dentre suas maiores obras, certamente a mais famosa é The Spirit, um trabalho pesado e sério, dotado de humor refinado, recentemente transformado em um filme, por Frank Miller.

Para os didatas, há dois livros escritos por ele, explicando todo o ambiente dos quadrinhos: “Quadrinhos e Arte Seqüencial” e “Narrativas Gráficas”, livros que trazem a base para se tornar um artista de mão cheia, como ele. Uma leitura fácil e instigante, que ensina o leitor a criar novos horizontes. Se o ávido fã ainda não se der por satisfeito e quiser ir além disso, sugiro comprar suas Graphic Novels em uma livraria especializada e caçar outros trabalhos didáticos, como “Desvendando Os Quadrinhos” de Scott McCloud, outro que abertamente diz-se influenciado por ele. Outro bom exercício é procurar sua influência em obras atuais. Garanto que ela existirá em qualquer revista quinzenal dos X-men.

A coisa certamente não para por aí, e há muito o que falar sobre este gênio dos Quadrinhos. Porém, acredito que esta breve introdução deve seguir o exemplo de seu objeto, e instigar os leitores a procurar mais e descobrir por si mesmos, o tamanho do legado deste homem, que inspira tanto a mim quanto a muitos outros artistas.

Will Eisner… Pena que já estejas no céu.

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8
dez
Clone Manga & H.H. – Quadrinhos bizarros

Chega a ser engraçado como em alguns aspectos a cultura japonesa é tão estranha para nós e não estou falando apenas dos grandes olhos dos personagens de mangá. Os apelos sexuais e de violência são totalmente diferentes dos nossos ocidentais.

Esta semana fui apresentado ao projeto Clone Manga, um site repleto de mangás, entre eles a série H.H. Para quem tem o senso de humor mais sádico e perverso vai adorar estas tirinhas.

A série conta a história de Hitomi, uma pequena garota que é apaixonada por um rapaz e com uma imaginação que vai além. Para entender as piadas ácidas é preciso dominar um pouco do inglês, já que a série foi produzida apenas em chinês, japonês, inglês e espanhol.

Quem não estiver com muito tempo para ler as 24 páginas, vale a pena pular para a número #6, #7 e #23

22
nov
Manolo #4 – Se vira tartaruga

21
nov
Fables: A arte de James Jean

Por Andre Oz Matteucci

Um dos mais interessantes pontos positivos de se aventurar pelo fantástico mundo – ou seria multiverso? – dos quadrinhos importados, é toda a variedade de títulos que instantaneamente fica a seu dispor.

Para alguém que passou a infância e cresceu dependendo apenas de títulos contados da Marvel e DC Comics nas prateleiras baixas das bancas de jornal brasileiras, acompanhar mês a mês o que normalmente não chegaria por aqui, é como desbravar um mundo novo.

Foi assim que eu descobri que a Vertigo era mais que Sandman e Hellblazer. Foi assim que eu descobri Fables.

E descobri Fables, confesso, pelas capas. A premissa de “nunca julgue um livro pela capa” foi totalmente ignorada com a HQ de Bill Willingham, que narra as aventuras reais de fábulas de livros infantis como Chapeuzinho Vermelho e Cinderela. Culpa de James Jean, responsável pelas capas que ajudaram a definir o tom e ritmo do gibi nos últimos seis anos.

Ganhador dos últimos cinco Prêmios Eisner consecutivos, James conquistou o mundo. Suas ilustrações se espalham e podem ser apreciadas do New York Times à Prada.

Sua arte e estilo, incrivelmente detalhista e inovador, parece fluir pela página em constante movimento, mesclando o comum com o fantástico e deixando qualquer entusiasta de arte, design e quadrinhos babando para saber mais sobre a produção daquela obra única.

E é exatamente isso que propõe a AdHouse Books com Fables Covers: The Art of James Jean Vol. 1, livro a ser lançado em novembro e que compila todas as capas de Fables publicadas até então, oferecendo um ‘behind the scenes’ da criação dessas peças.

James Jean pretende se direcionar a novos projetos pessoais, e tem data marcada para terminar sua contribuição em Fables no número 81, que sai em fevereiro lá fora. Aqui no Brasil, porém, ele continua brilhando mensalmente nas capas de Fábulas Pixel por um bom tempo.

15
nov
A morte do Superman – Nerds invadem São Paulo

A convite da galera do Jovem Nerd, estivemos ontem (Henrique Haro, Sra. Com limão, Shirley – a fã, André “Eu” Cotidiano e eu) na FNAC Morumbi para conferir um debate e a premiere sobre a mais nova animação da Warner, a Morte do Superman. O novo filme abrange a morte e o retorno do homem de aço, mostrando uma das épocas mais importante dos quadrinhos.

Para discutir sobre a novidade da Warner, foram convidados meus amigos Azaghâl e Alottoni, do Jovem Nerd, juntamente com uma equipe de especialistas compostas por: Fabio Yabu, ilustrador brasileiro e criador de séries como: Combo Rangers e Princesas do Mar, JP Martins, editor e tradutor de quadrinhos e Paulo Gustavo Pereira, jornalista e editor de quadrinhos.

Comandado pelo próprio Paulo Gustavo (que não ficou atrás nas piadas e comandou o debate de forma magnífica), o evento foi descontraído do começo ao fim.

Com destaque para os comentários “nervosos” de JP, que defendeu de corpo e alma que os quadrinhos atuais são feitos para adultos, pois são caros e difíceis de serem comprados.

Já as piadas e comentários dos nerds Alottoni e Azaghâl não poderiam serem esquecidas e acabaram comentando uma cena de 2 minutos, onde o Superman luta contra o Apocalipse.

Fábio Yabu com o seu estilo reservado e tímido não ficou de fora das brincadeiras e acabou ganhando até mesmo uma fã que foi até a FNAC especialmente para vê-lo. No final os fãs invadiram o palco para tirarem fotos, autógrafos e bater um papo com os palestrantes.

Em resumo, o evento foi fantástico e não faltou papo nerd, comentários sarcásticos e engraçados, sorteio de brindes e muita diversão.

Para fecharmos a noite fomos jantar com os dois “destruídos” nerds Alexandre e Azaghâl, que mesmo cansados do fantástico evento e de uma longa viagem de carro até São Paulo, não deixavam o bom humor de lado nunca.

Quem não pode conferir o evento, nós montamos uma galeria de imagem para os que perderam a última chance de 2008 em encontrar essa fantástica dupla e os demais palestrantes.

15
nov
Manolo – Glub! Glub!

Confesso que a última edição do Manolo foi um pouco fraca, mas ainda estamos amadurecendo. Espero que gostem mais desta terceira edição.

8
nov
Manolo – Um pouco do humor nosense

Continuando a série inaugurada na semana passada, entra no ar a segunda tirinha da sem noção tartaruga Manolo. Tivemos muitos comentários positivos, mas tivemos um negativo (cheguei a entrar em contato via e-mail com o comentário negativo, mas não obtive resposta).

Gostaria de saber de vocês o que estão achando de tornarmos o fim de semana mais descontraido aqui no Com limão.

1
nov
Manolo – A tartaruga azarada

Como todos sabem fim de semana é dia de descontração aqui no Com limão, então a partir desta semana abro espaço para uma série de tirinhas da tartaruga Manolo.

Criada pelo designer André Fuentes, exclusivamente para o nosso blog, podemos dizer que a tartaruga Manolo não tem muita sorte na vida.

Engraçada e sádica, as tirinhas são contra-indicadas para quem não gosta de temas agressivos.

2
out
Top Five: vilões que amamos odiar

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Depois do nosso Top Five Heroínas, postado no It´s all…Girl Power!, vamos visitar agora os grandes vilões das comix. Claro que temos uma série de vilões que amamos odiar. E temos também uma sugestão de hit bem anos 80 para acompanhar este post: Bad, do Michael Jackson.

Geralmente, os malfeitores roubam a cena e as páginas das HQs, tornando-se verdadeiros ícones ao contrário. E tamanha importância na nona arte só poderia render a nossa homenagem aos seguintes bandidos clássicos:

05. Duende Verde – clássico inimigo do Homem-Aranha, Norman Osborn é o responsável pela morte do grande amor de Peter Parker, Gwen Stacy. Não bastasse protagonizar a execução, o Duende ainda conseguiu que o Aracnídeo dividisse com ele a responsabilidade do fim de Stacy: ao jogá-la de uma ponte, seu pescoço foi quebrado durante a tentativa desesperada do Aranha em tentar deter a queda. Recentemente, o vilão assumiu a direção dos Thunderbolts, grupo de psicopatas recrutados pelo governo para literalmente caçar os heróis clandestinos em tempos de Guerra Civil.

04. Libra – Esse esquecido vilão volta com tudo na tão celebrada saga Crise Final da DC. Em busca de componentes para uma nova Liga de Vilões, Libra passa a persuadir diversos criminosos a participar do malvado grupo, prometendo realizar os desejos dos malfeitores que toparem a empreitada. De primeira, Libra vai atender a um destes pedidos, repercutindo na morte de um ícone da Liga da Justiça e na formação da Sociedade Secreta dos Super-Vilões. Grave o nome de Libra na sua agenda: ele será muito comentado na saga que promete virar o universo DC de ponta cabeça. Eu gosto desta tendência de tirar vilões da obscuridade e trazê-los para grandes papéis em sagas importantes.

03. Coringa – É redundante dizer que o palhaço do crime conquistou as telas de cinema este ano na pele do Heath Ledger e roubou a cena de Batman Knight. Porém, o brilho insano deste vilão torna as aventuras do Homem-Morcego emocionantes desde 1940, ano de sua primeira aparição nas HQs. O Coringa é responsável pelo assassinato de Jason Todd, o segundo Robin. A maldade pode ser conferida no clássico Morte em Família, de 1988. Muito se fala que a morte de Robin foi uma resposta da DC aos leitores em relação a pouca aceitação do substituto de Dick Grayson, que na época assumia o papel de Asa Noturna, dos Novos Titãs. Frase memorável do Coringa: “Veja, eu sou um homem de gostos simples. Eu gosto de pólvora, dinamite e gasolina! Você sabe o que essas coisas tem em comum? Elas são baratas!”

02. Homem de Ferro: mas ele combate o crime! Vai explicar isso para os heróis que não aceitaram revelar suas identidades secretas ao governo americano. Tony Stark encabeçou a frente dos heróis registrados e tomou para si a responsabilidade de convencer e deter os heróis que foram contra a Lei de Registro. Para um fã de HQ como eu, é difícil admitir, mas Stark é considerado um traidor da causa super-heróica, principalmente após assumir a direção da Shield e sua cabeça passou a ser disputada a prêmio por personagens como Hulk e Soldado Invernal. Muitos fóruns de quadrinhos elegeram o Homem de Ferro como maior vilão das HQs de 2007 graças ao seu posicionamento (anti)ético durante a Guerra Civil.

01. Adolf Hitler: sim, um dos maiores algozes da história mundial ganha aqui medalha de ouro como maior vilão das HQs. Ao influenciar a arte com suas ações bélicas e desumanas, Hitler provou ser um vilão de patamar incomparável ao popularizar os campos de concentração e o holocausto. Tamanha falta de compaixão fez com que o alemão transcendesse a realidade, saltando diretamente para a capa de inúmeras HQs no período da Segunda Guerra Mundial, época em que todos os super-heróis tinham como objetivo capturar e cessar as ações nazistas.

A primeira capa de Captain America Comix apresenta o herói dando um belo soco no bigodudo. E o Superman também acertou as contas com o ditador em fevereiro de 1940, quando capturou Hitler e Stalin, levando-os para um julgamento na Liga das Nações. E não podemos esquecer que o nascimento de Hellboy é fruto de uma cerimônia nazista com o objetivo de usá-lo como arma na decisão na Guerra.

Como de costume, este podium não é definitivo, já que contamos com uma série de vilões celebres, como Brainiac, Lex Luthor, Doutor Destino, Doutor Octopus, Magneto, Charada, Bizarro, Mulher Gato…

Para colocar na agenda: Para você que curte HQ, não perca a décima quinta edição da Comix Fest, evento que ocorrerá em São Paulo e é promovido pela Comix Book Shop:

15ª Fest Comix de 17 a 19 de Outubro de 2008.
Horário: 17 e 18 de Outubro das 10h às 20h / 19 de Outubro das 10h às 18h
Local: Centro de Eventos São Luís – Colégio São Luís
Rua Luís Coelho, 323  — Estação Consolação do Metro – São Paulo
Entrada: R$ 10,00 – Meia entrada para estudantes: R$ 5,00

26
set
Fantasmas existem?

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O primeiro herói a usar um uniforme no mundo dos quadrinhos foi criado em 1936 e foi batizado como Fantasma, a mesma denominação das figuras míticas que povoam o imaginário coletivo infantil. Ao mesmo tempo em que temem, as crianças se encantam com o contexto sobrenatural que envolve o que conhecemos como fantasmas. Buá!

Reza a lenda que o Fantasma não costuma falhar em seu combate ao crime. Ele não pode ser encontrado, é ele quem encontra os alvos de sua justiça cega. É conhecido como o Espírito-Que-Anda e se tornou justiceiro após ficar entre a vida e a morte após o ataque de piratas que vitimou seus familiares. A experiência trágica o tornou um protetor da floresta, um arquétipo do homem mortal, comum que desenvolve habilidades atléticas e passa a enfrentar seus inimigos no braço. E ele dá umas porradas certeiras com aquele anél em forma de caveira.

O juramento do Fantasma é, em minha concepção,  uma expressão fiel e clara da arte da época em que os quadrinhos nasceram:

“Devotarei minha vida ao combate de todas as forma de pirataria, cobiça e crueldade. E meus descendentes continuarão minha missão.”

Posso sentir aqui todo o clima quase religioso, paternalista e tradicional dos anos 30. Se você grava CDs e DVDs e fica distribuindo por aí, pode levar uma bela sova do Fantasma. Hoje, o inimigo da pirataria atende pelo nome de Rapa. Na 25 de Março, em SP, o Fantasma ficaria com o braço doendo de tanto distribuir porradas. Pula, Pirata!

O Fantasma é um personagem pioneiro, interessante e fashionista. Ou você acha que é fácil ser o primeiro a usar a cueca sobre as calças sem ser alvo de chacota dos engraçadinhos de plantão? Ponto para o Fantasma.

Mas esse papo de caveira, espírito que anda e fantasma me leva a uma questão onírica: os fantasmas existem?

Existem, meus amigos. Pior é que existem sim e rondam-nos quase freqüentemente. Cuidado! Um fantasma pode estar assombrando! Buááááááááááá! (versão remix).

Prepare o alho, azeite e a cebola (não sei se adianta muita coisa, mas foi o que eu encontrei aqui em casa hoje e já dá pra fazer um rascunho de salada) e acompanhe comigo as provas cabais da manifestação sobrenatural:

01. Fantasmas aparecem para buscar objetos perdidos. Se você pegou aquele CD emprestado em 1996 e ainda não devolveu, pay attention! Menos dia ou mais dia, o fantasma voltará, ávido e obcecado para reaver o produto seqüestrado. Quando menos esperar, sua campainha vai tocar enlouquecidamente. Ao abrir a porta, com olhos esbugalhados e uma voz assustadora, o fantasma declarará: “Devolve meu CD, vagabundo!” Não digam que eu não avisei.

02. Fantasmas emitem terríveis sinais na sexta-feira, ao final do expediente de trabalho. É noite, você já desligou seu micro, está guardando seus pertences, imaginando o sabor daquele breja gelada do happy hour e de repente um sinal macabro ecoa na sala: o seu telefone toca.

Por um momento, você finge estar desprovido do maravilhoso sentido da audição e torce para que o sinal fantasmagórico cesse. Ele não para e, ao vigésimo oitavo toque, você resolve atender, com um frio na espinha inconfundível. A voz não diz “Seven days”. É algo pior. Ela diz: “Quero esse job pronto em meia hora!” Não, você não está no filme O Chamado. O filme que você protagoniza agora é O Coitado! Ah, e a assombração aqui atende por um nome específico: chefe ou cliente. E você não vai receber hora extra!

03. Fantasmas querem acabar com seu novo affair (sim, affair é mais moderno e soa mais descolado que caso ou tico-tico-no-fubá). Entidade terrível e assustadora, esse tipo de entidade não pode ver que você está com um novo romance e fará de tudo para fazer sua parada miar.

O ataque ocorre assim: empolgado, você passa a ler títulos do Romance Júlia, como “Na relva, eu & você” e “Balanço do Amor (pendurados no lustre)” e decide, erroneamente, a colocar um nick apaixonado no MSN, dedicado ao novo affair.

Pra que? Pra que? É a brecha que o fantasma precisava! Primeiro, ele te manda um emoticon com uma piscadela bem tacanha e depois sugere um “replay”, um “remember”, como se ele nunca tivesse pisado na bola com você. Mas, para se livrar da perturbação assombrada, explique que ela já morreu e que agora está em outra dimensão, a dimensão chamada “cai fora, que a fila andou!”. Para evitar assombrações futuras, diga que você poderá fazer essa coisa tosca de replay daqui somente há umas 300 encarnações.

Bem, aqui foi um resumo das manifestações sobrenaturais mais freqüentes. Lembre-se que hoje é sexta-feira (maravilha!) e não se esqueça de pentear os cabelos e lavar o rosto pela manhã. Caso contrário, o fantasma poderá ser você. Buááááááá e ótimo fim de semana!


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