
Por Max Bitran
Eu não costumo dar uma de profeta de plantão, mas neste caso vou abrir uma exceção: Eu prevejo que, em breve, o mundo falará uma só língua: o IP. Essa convergência já vem acontecendo há anos, mas agora está cada vez mais presente entre nós e, o que é ainda mais interessante, nós nem estamos notando.
É graças a esse movimento que hoje temos telefones que nos permitem falar com pessoas do mundo todo, pagando um valor fixo mensal ou valores de ligações locais. Eu, por exemplo, tenho um telefone convencional em casa com uma linha do Rio de Janeiro e outra de Nova York e, se quiser, posso acrescentar outras mais usando o mesmo aparelho. O melhor é que quando viajo ou for me mudar (inclusive de país) posso usar os mesmos números em qualquer lugar que suporte internet de banda larga.
Agora que você já tem alguma idéia do que eu estou falando vou apresentar uma nova onda que, eu acredito, veio pra ficar: O streaming de vídeo de alta definição.
Para tanto vou apresentar dois equipamentos que fazem esse tipo de mágica: O SlingBox e o Hava.
O que esses equipamentos fazem? Eles transmitem vídeo pela internet, com alta qualidade de imagem e som (é claro que isso depende também da largura da sua banda – o problema é sempre a banda).
Como eles funcionam? Você conecta o equipamento no aparelho que você quer usar como fonte do seu streaming (pode ser a caixa da sua TV a Cabo, um DVD player, uma câmera, etc). Em seguida você conecta o equipamento (streamer) no seu roteador (é, você tem que ter um roteador pra isso tudo funcionar, mas hoje isso já não é mais tão problemático).
Você pode (é uma opção, mas tenho certeza que você vai querer) ligar o equipamento de maneira que ele possa controlar a fonte remotamente. Depois é só configurar o receptor (hardware ou software) e assistir. Tudo isso parece mais complicado do que realmente é, mas é claro, você terá que configurar todos esses equipamentos. Normalmente não é um problema, pois os equipamentos tentam ao máximo tornar sua vida mais fácil e vão ficar ainda melhores com o tempo. O fato é que as possibilidades desta tecnologia são incríveis.
Eu tenho uma SlingBox ligada a um receptor de TV a cabo no Brasil. Com isso eu posso assistir TV do Brasil aqui em Israel e em qualquer lugar que eu quiser. Posso mudar de canal e gravar programas, posso assistir no computador (e através dele, na TV) ou em um outro equipamento chamado SlingCatcher, que dispensa o PC.
A melhor parte? Tenho o mesmo sistema instalado no meu SmartPhone, ou seja, também posso assistir TV pelo telefone – e funciona! Com algumas configurações avançadas eu ajustei a interface de infra-vermelho do equipamento para poder controlar o box da TV a cabo, assim eu posso ligar, desligar, programar, mudar de canal, tudo remotamente.
Pode ser que esteja exagerando a respeito do impacto que isso pode trazer para a sua vida, é bem possível que eu seja uma minoria de entusiastas da idéia de poder assistir TV de qualquer lugar do mundo com qualidade e comodidade. Mas, tenho certeza que a operadoras de TV a cabo vão achar isso muito interessante (e ameaçador).
Todo mundo sabe que ter um ponto a mais na mesma residência é mais barato do que ter dois pontos em residências diferentes; então me acompanhe… se eu tiver um segundo ponto na casa dos meus pais e assistir da minha casa eu vou pagar menos, pelo mesmo serviço.
Se meus irmãos fizerem o mesmo também pagarão menos e ainda assim é somente um ponto adicional. É claro que há a questão da legalidade disso, mas também houve na questão do MP3 e DivX. As operadoras vão questionar, dizer que e pirataria, vão brigar, mas isso não irá conter o movimento, como não conteve, com as tecnologias que mencionei há pouco.
O que estou querendo dizer é que isso poderá mudar o mercado, eu posso contratar alguém no exterior e pagar muito menos para ter os mesmo canais ou mais canais do que tenho aqui, assistir minhas séries favoritas ou filmes antes deles serem exibidos no Brasil. Posso ter mais de uma assinatura com pacotes de vários países, incluindo serviços de legendagem ou dublagem. Posso ser um distribuidor pequeno e local do sinal, injetar propagandas… resumindo, é uma nova fronteira para a distribuição de conteúdo de vídeo que vai mudar tudo que conhecemos agora. E tudo isso com qualidade de imagem em tela cheia, usando um equipamento que não é mais caro que um IPod.
Já o Hava é outro equipamento deste tipo que está recebendo muitos elogios, mas ainda não tive oportunidade de testá-lo. Pela sua ficha técnica, parece melhor que a SlingBox, mas só poderei ter certeza depois de testá-lo. O que posso dizer e que a SlingBox funciona e funciona muito bem.
O único contra que vejo na SlingBox até agora é o fato de eu não poder assistir ao mesmo sinal em mais de um receptor (coisa que o Hava alega ser possível fazer). É claro que, se além de poder assistir em vários lugares eu pudesse assistir canais diferentes seria incrível, mas para isso o equipamento teria que ser também um turner/receptor da TV (isso está longe de acontecer se é que vai), mas isso ninguém pode fazer também em casa normalmente, sem ter mais que uma caixa.
Fora isso não tenho do que reclamar. A qualidade de recepção varia de acordo com o dia da semana. A banda de rede com o Brasil aqui em Israel é mais limitada que com os EUA e a banda de upload dos meus pais também (não é só pra mim). Ainda assim eu aprovei e adoro a possibilidade de meus filhos poderem ver programas em português.
Uma coisa importante a ressaltar é que ambos os equipamentos podem transmitir sinais HD (de Alta Definição). Eu não tenho um equipamento com esse feature por que a banda tem que ser ainda maior e não tenho canais HD assinados no Brasil (ainda!)
Nenhum dos dois equipamentos é vendido atualmente no Brasil, então a opção é importar ou comprar fora. Se alguém quiser saber mais sobre essas tecnologias, seja de vídeo ou de telefonia, esteja a vontade para me contatar. Será um prazer dar mais informações.

Max Bitran é engenheiro de sistemas e correspondente brasileiro em Israel. Além de atuar como gerente de desenvolvimento e especialista em .Net Framework.
