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A.D. – A promessa de um épico de terror, produzido em animação 3D

Equipe independente promete criar épico de zumbis usando animação em 3D e experiência de filmes como 300 e Terra dos Mortos

Por Victor Vasques

Já fazem alguns anos que não vemos filmes bons sobre zumbis, quando digo isso não me refiro aqueles filmes que traduzem os simpáticos mortos-vivos como um pedaço de picanha se arrastando pelas ruas, muito menos de seres musculosos como os apresentados em “Eu Sou a Lenda”.

Estou falando de zumbis que reúnem o melhor dos dois mundos, rápidos e ao mesmo tempo nojentos como aquela pizza de uma república de estudantes, ponto que todos devemos concordar que estamos orfãos de épicos.

Zombieland veio para saciar um pouco nossa fome… ops! quero dizer, nossa vontade de bons filmes de zumbis, mas não deixa de ser “apenas” uma fantástica comédia. Por outro lado nossa espera deve estar chegando ao fim.

Em breve (e torço muito por isso!) deve ser lançado a animação A.D. Opa! Uma animação para tomar o lugar de épicos de zumbis? Sim! Ela não é uma animação simples, com os mesmos produtores de filmes como 300 e Terra dos Mortos, de George Romero, A.D. promete trazer toda a atmosfera aterrorizante para o campo da animação 3D.

“Lembre-se sempre de apontar na cabeça.” – Haylar Garcia

Ainda sem muitos detalhes sobre a história, ponto em que o escritor Haylar Garcia e o diretor Ben Hibon fazem questão de manter em segredo, o teaser divulgado mostra apenas um casal de personagens – entre eles um cara que parece ser tão durão quanto o Wolverine e tão sádico como o Sr. Tallahassee, de Zombieland – pegando um machado e acabando com alguns zumbis.

De acordo com o produtor Bernie Goldmann, A.D. tem tudo para ser ser um filme de sucesso, pois é um filme como nenhum outro.

Objetivo e animação compartilhada por toda a equipe, que em entrevista para o site Zombie Info demonstrou apostar todas as suas fichas nesta animação de terror. Só nos resta aguardar, e como disse Haylar: Lembre-se sempre de apontar na cabeça.

Victor Vasques é ceo e editor chefe do Com limão. Como designer já passou pelos principais portais brasileiros, atuando sempre nas áreas de design digital e branding.

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Zombieland – Woody Harrelson em busca de um Twinkie

Analisamos Zombieland, terror e comédia do diretor estreante Ruben Fleischer

zombieland

Por Felippe Martins

Os filmes de zumbi estão na moda. Desde que foram revitalizadas pelo remake “Madrugada dos Mortos”, de Zack Snyder, muitas outras produções sobre o gênero foram realizadas. Mas existe algo nessa vertente da cinematografia de horror que faz com que os filmes de mortos-vivos sejam especiais.

O mestre George Romero mostrou, desde o seu clássico absoluto “A Noite dos Mortos Vivos” que o problema sempre foi e sempre serão os vivos. Os mortos apenas contribuem para exacerbar a situação.

Romero ainda fazia questão de criticar os próprios vivos em seus filmes. Em “Despertar dos Mortos”, por exemplo, logo após retornarem, os zumbis têm como a primeira parada um shopping center. Até na “pós-morte” somos zumbis consumistas! Já na comédia de horror britânica “Todo mundo quase morto” ,de Edgar Wright, é clara a questão de que os zumbis na realidade somos nós.

Na nova comédia de horror “Zombieland” (“Zumbilândia” no Brasil), com estréia prevista para Janeiro, o mundo novamente acabou em um holocausto zumbi. Columbus (Jesse Eisenberg) é um jovem sobrevivente que está tentando chegar à casa de seus pais para ver se alguém sobreviveu.

Uma parte interessante é que o filme possui uma série de regras que são narradas didaticamente pelo próprio personagem enquanto são demonstradas na tela. Regras que vão desde “Dê dois tiros para certificar que o zumbi morreu” a “Não seja um herói” ou até “Evite banheiros”.

Um verdadeiro guia de sobrevivência aos zumbis, de Max Brooks, na tela (livro que, por mais que pareça bizarro, eu recomendo!)

Columbus se encontra com Tallahassee (Woody Harrelson), de longe o melhor personagem do filme e detentor das melhores citações. Um homem que está em uma busca pessoal. Ele precisa desesperadamente de um… Twinkie (sim, a motivação do personagem é encontrar um bolinho recheado). Juntos eles ainda encontram mais duas sobreviventes: Wichita (a maravilhosa Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin). Reunido, o grupo pretende chegar a um parque de diversões que supostamente está livre de zumbis.

A história não possui muitas reviravoltas e o roteiro não é lá nem um pouco complexo. As interpretações do trio jovem é correta e bem natural. Quem rouba a cena é, claro, Harrelson.

O que torna Zombieland um ótimo filme são os detalhes. As pequenas coisas que fazem a diferença. Sabiamente, o diretor estreante Ruben Fleischer soube utilizar os zumbis como eles são exatamente: canibais, perigosos, assustadores e mortíferos. O humor vem realmente de como os vivos se portam perante a ameaça. É como se dançássemos polca em frente ao Jason.

No roteiro, ainda existe a questão da relação pessoal. Columbus diz em certo momento que passou toda sua vida isolando dos vivos, mas agora que a maioria está morta, sente falta desse contato. E é na forma dos três companheiros recém conhecidos e sem nome (reparem que o nome de cada personagem é exatamente a terra natal de cada um) que uma “família” é formada. Piegas, mas funciona muito bem.

Mas como disse, as boas coisas estão nos detalhes e para isso temos as frases engraçadíssimas de Tallahasse, como por exemplo: “Não choro tanto assim desde Titanic” e a participação mais do que especial de Bill Murray, interpretando ninguém menos do que ele mesmo!

Essa participação é um dos pontos mais engraçados do filme e aqui destaco o seguinte diálogo:
Tallahassee: Você se arrepende de alguma coisa?
Bill Murray: Não me arrependo de nada… Bem, talvez de “Garfield”

Zombieland não é nenhuma obra prima e também não possui ácidas críticas à sociedade, como a série de Romero. Muito menos o humor incisivo e sofisticado de “Todo mundo quase Morto”, mas é um filme que diverte muito por ser inocente. É daqueles “filmes para toda família”, com muito sangue, tripas, zumbis e Woody Harrelson interpretando um cara maluco em busca de um bolinho.

Não precisamos de mais nada! É como disse Weird Al Yankovick: Zombieland é o melhor filme de zumbis com Woody Harrelson, desde “O Povo contra Larry Flint”. Concordo plenamente.

Felippe Martins é escritor, professor e economista. Além de editor de Cinema do Com Limão e cinéfilo inveterado.

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Especial Terror – Two Thousand Maniacs: Maníacos sem as manias do cinema de terror

Encerramos o nosso Especial Terror com a análise do cult Two Thousand Maniacs e suas contribuições para o cinema atual

Two-Thousand-Maniacs

Por Carlos Proença

Two Thousand Maniacs é o segundo filme da chamada “trilogia do sangue” do diretor Herschell Gordon Lewis – o primeiro seria o seminal Blood Feast (1963) e o último, o mais experimental Color Me Blood Red (1965). Para quem assiste aos filmes hoje, talvez a importância não seja tão explícita, portanto se faz essencial trazer aqui um breve histórico do gênero terror, da carreira de Lewis e o início do subgênero Splatter, do qual os filmes aí de cima seriam pioneiros.

Até o final dos anos 50, e vale lembrar o outro tipo de sociedade e relação com sangue e violência que se tinha, os típicos filmes de terror lidavam com o medo do desconhecido, do sobrenatural, do obscuro. Cansados de uma falta de ousadia gráfica, cineastas ao redor do mundo começaram a explorar a estética gore em filmes esporádicos. Dentre esses podíamos citar um clássico como Psicose (1960) de Alfred Hitchcock, Olhos Sem Rosto (1959) de Georges Franju e o filme considerado o mais violentamente explícito de sua época: Inferno (1960), de Nobuo Nakagawa.

Nesse âmbito, em uma época de muitas mudanças como foi os anos 60, surge uma figura como H.G. Lewis. Egresso dos exploitation ele se junta com o produtor David F. Friedman – uma lenda da indústria exploitation – e realiza em 1963 Blood Feast, aqui lançado no mercado de VHS como Banquete de Sangue.

O diferencial de Lewis seria sobrepor o espetáculo gráfico da violência à estrutura narrativa do filme. Assim, ele é considerado o criador desse subgênero nos filmes de terror: o Splatter, que como marca principal, valorizariam em seu ideário de imagens a destruição física do corpo. Filmes famosos que podem encaixar-se nessa categoria são a trilogia Evil Dead, de Sam Raimi e a série dos filmes de zumbis de George A. Romero iniciada por A Noite dos Mortos-Vivos (1967). Além disso, os filmes de Lewis, sobretudo esta trilogia, contam com a presença de um humor negro muito forte.

Two Thousand Maniacs, aqui no Brasil distribuído nos anos 80 em VHS com o título Maníacos, conta a história de seis jovens viajantes, que em certo ponto de uma auto-estrada californiana são obrigados a desviar seu caminho, indo parar em uma cidade chamada Pleasant Valley, a qual estava comemorando seu centenário. Eles são recebidos em clima de comemoração por seus (até demais) gentis residentes – o filme traz em si uma poderosa crítica ao american way of life do interior americano – e logo tornam-se hóspedes de honra e obrigados a participar da festa organizada para a ocasião.

…o centenário não era da construção da cidade, mas sim da destruição dela.

Contudo, a trilha sonora – tosca porém eficiente– já indica que algo estranho paira no meio de toda essa gentileza. O que os visitantes não esperavam é que o centenário não era da construção da cidade, mas sim da destruição dela e genocídio dos habitantes por soldados ianques na época final da Guerra Civil Americana. E, ainda mais, os seis egressos do norte iriam expiar a culpa de seus antepassados (o sul do país foi massacrado pelo norte nesta guerra) sendo os protagonistas-vítimas de jogos sanguinolentos – como amarrar cada um dos braços e pernas de uma vítima a quatro cavalos e fazê-los correr em direções opostas – que tem como principal motivo mutilar e assassiná-los. Tudo, claro, com muito humor, violência e sangue.

Pessimamente atuado, o filme remete a uma estética camp, que vigorava na época em diversas obras, sendo a mais conhecida o seriado para televisão Batman, de 1966. Ou seja, toda uma aura de filme de baixo orçamento, precariedade técnica e narrativa tendenciosa geram um teor de “humor involuntário” para o filme, mas que na verdade é extremamente calculado. É um daqueles filmes que se você for assistir com os amigos, vai falar: “Olha que coisa mal-feita!” e se divertir horrores com essa proposta que vai de embate a todo o cinemão americano que já conhecemos, o oposto da aparente impecabilidade da produção blockbusters.

O fato dos moradores da cidade não esboçarem qualquer piedade pelos viajantes, e de muitas de suas frases criarem duplo sentidos para suas situações, faz de Two Thousand Maniacs um filme com construção de clima muito especial . O propósito aqui não é tanto fazer o espectador ter medo, mas sim de que ele estranhe a maneira como aquela história tão sanguinolenta esteja sendo contada, em uma estética muito mais próxima de um cinema de comédia de costumes do que propriamente o de terror.

Sua exibição de sucesso nos drive-in theaters elevou-o a um status cult nos dias de hoje, algo que também se deve à completa anarquia do filme com as perversões de seus personagens e suas ações imorais. Uma coisa é certa: ninguém vai extrair uma lição de moral do filme de Lewis. Sem dúvida, um marco no gênero, assim como outras obras do diretor, ainda vivo. Vale muito à pena conferir.

Observação: O nome de Herschell Gordon Lewis voltou mais à tona depois que ele foi citado como um mestre do terror pelo personagem de Mark Ruffalo em Juno, que mostra alguns trechos de um filme subseqüente seu, The Wizard of Gore (1970).

Carlos Proença é graduando em cinema na UFF e já participou de diversas atividades cineclubistas.

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Especial Terror – O Açougue-Enfermaria: Entrevista com a Ilustradora Camila Torrano

Entrevistamos a ilustradora Camila Torrano, especialista em terror, que nos falou sobre os prós e contras do tema e a beleza do clichê nesta área.

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Por André Meister

Todo filme de terror que se preze, seja de zumbi, vampiro ou lobisomem, tem a clássica cena do último momento, em que há a ressurreição do famigerado assassino. E como este é um especial de terror, resolvemos trazer de volta uma ilustradora, que ano passado arrepiou os leitores do Com Limão. Estou falando de Camila Torrano e seu Açougue-Enfermaria!

André:  Nome, idade e um filme de terror.
Camila: Camila Torrano. Isso não se pergunta a uma morta-viva e A Casa dos 1000 Corpos. Mas pedir para falar um filme só é sacanagem, mas gosto particularmente desse, porque claramente o diretor é alguém que entende do assunto e, melhor, não tem medo de fazer uso dos clichês.

A: Primeiro de tudo, o que veio primeiro? O terror ou o desenho?
C.: Praticamente ao mesmo tempo. Na verdade eu não sei por que comecei a desenhar. Foi algo meio natural quando colocaram um lápis nas minhas mãos. Mais tarde, ele se tornou instrumento para “materializar” as histórias que vinham à minha cabeça, os personagens, etc. Eu lia Turma da Mônica e histórias de assassinato em paralelo e ninguém se excluía – cada um tinha um encanto.

A Mônica me divertia e trazia as soluções adotadas para contar uma história, os recursos para expressar algo (como onomatopéias), estilos de desenhos. O terror também veio naturalmente. Claro que na época eu não entendia porque diabos eu lia tantos contos de Terror, sabendo que ia dormir com medo.

Acho que era o mistério que me atraía. Já depois, foi a Morte que me despertou uma fascinação absurda. Não foi exatamente ao mesmo tempo. Afinal, eu sabia que estaria em apuros se fizesse cenas de sangue e minha mãe visse!  Aliás, procura ver os desenhos do Eli Roth quando criança. Eu chorei de rir!

A.: Esse interesse sobre a morte é um simples fascínio ou algo religioso?
C.: A Morte, no início, era algo místico, até porque eu não tinha idéia do que era de verdade. Parece bobo, mas na minha cabeça, era algo muito abstrato, ao passo que me era muito impactante ver personagens morrerem.

Tinha um que era sobre uns bichinhos da floresta e me chocou muito quando um deles morria num incêndio. Para crianças em geral aquilo era a vida, para mim era um “Caramba! Ele morreu! O que é isso??”

Acredite ou não, mas a morte só tomou corpo para mim há uns 3 ou 4 anos.

A.: Você tem algum desenho, então, da Morte?
C.: Eu não desenho a Morte. Acho que a única coisa que consigo pensar é que ela é uma mulher belíssima. Mas bela, não “atração fatal”. Para mim, ela é muito acima disso. Tenho uma relação de respeito enorme pela Morte. Na verdade, eu não gosto nem de pensar nela em forma humana. Para mim, nem Deus (se existe) deveria ter forma humana.

Fiz primeira comunhão, família católica, todo o clichê completo, mas em momento algum dizia-se o que era a Morte. “É uma passagem para o outro lado, você vai pro Céu ou pro Inferno”. As pessoas só falam no depois, ninguém fala no momento. A única representação que eu tinha da Morte na cabeça é a clássica: uma caveira vestindo um manto negro. E essa figura me chamava a atenção, pois ela continuava enigmática.

A.: Como você acha que é interessante aplicar a violência em um trabalho artístico?
C.: Violência por violência é a vida real! Isso não tem graça. Aliás, gosto de tudo isso (sangue, violência e terror) exatamente porque eles estão no plano da ficção. Parece idiota falar isso, mas percebi que isso me difere de algumas pessoas.

Pessoas que conseguem rir de um vídeo que mostra alguém sendo torturado e/ou morto de verdade. Eu lamento. Sei que me meto numa sinuca quando falo que lamento a banalização da violência da sociedade atual, enquanto estou na fila do cinema para ver Saw. Achei engraçado que o Tarantino tenha a mesma opinião.

A: Como você vê esse mercado da ilustração, principalmente para alguém como você que leva um tema tão difícil de casar?
C: A demanda profissional pelo terror vem mais de fora do país. A única vez que me pediram aqui foi a revista Mundo Estranho, para uma matéria sobre Vampiros. Até semestre passado trabalhava como a grande maioria dos ilustradores: de freelance.

A.: O que você diria para um aspirante a ilustrador de terror estudar? Não só artistas e referências visuais, mas quais os tipos de tema a abordar? O que ele tem que ler?
C.: Anatomia em primeiro lugar. Óbvio! Anatomia dos músculos, dos órgãos, esqueleto e tudomais. Ler contos  e ver filmes de terror e suspense. Eu diria para ler de tudo. Se você se foca em um só tema, a probabilidade de você ser previsível é muito grande. Aliás, é o que mais vejo!

A.: Qual é o seu processo de trabalho?
C.: Já é algo tão natural que é difícil dizer que tem um “Ah eu começo assim”. Eu vivo estudando de tudo, dos assuntos mais relevantes aos mais imbecis. Então por exemplo:

Fiz o trabalho O Circo e utilizei fotos 3×4. Fotos, principalmente antigas, me dão medo. Eu não sabia porque, até o momento em que um desconhecido me disse: fotos são mórbidas. E são!! Daí a partir disto, fui pesquisar fotos antigas.Você sabia, por exemplo, que era costume tirar foto de pessoas mortas em posições de vivas?

Um avô falecia de xis coisa. Daí, como memória você sentava do lado dele – que estava todo vestido bonitinho, sentado numa poltrona porque as pessoas o preparam assim – e tirava a foto. Não era algo mórbido, era uma homenagem póstuma. Têm fotos de famílias inteiras!

Dentro de representação da morte, fui parar nas esculturas funerárias góticas francesas dos séculos XIII e XV, onde tem uma bruta diferença na representação da Morte, e aí você percebe que a religião católica mudou como ela trata da morte e consequentemente você muda o pensamento de uma sociedade.

A.: Por quê enfermeiras?
C.: Por causa de Silent Hill 3. Acredite ou não, eu nunca havia reparado quão mórbido é um hospital e o quanto enfermeiras são divinas. Médicos são também, mas enfermeiras me chamam a atenção pela mistura de figura maternal, sagrada e maldita que têm. Não são gostosas, são divinas. A diferença é que elas podem realmente definir o rumo da sua vida.

A: Há uma relação de admiração pelo espectro feminino, então?
C.: É um campo que eu entendo, já que sou mulher. E também, algumas podem ser o espelho de algo que eu almejo ser, ou não gosto. Enfermeiras têm acesso à sua parte mais humana – ou seja, quando você não deixa de ser, por exemplo, um executivo bem-sucedido e passa a ser um sujeito com o mesmo câncer que um mendigo.

A.: Você mencionou o clichê. O clichê tem algum espaço hoje em dia, ainda?
C.: Clichê sempre tem espaço, é parte bem importante neste “mundinho” do terror a meu ver. O que seriam de alguns filmes sem a moça virgem que recusou sexo durante o filme todo e que acaba sobrevivendo? Correr e tropeçar bem na hora em que o assassino está nas costas? A burrice é mãe das vítimas na maioria dos assassinatos em filmes do gênero.

Sempre aparecerão filmes que serão muito bons a ponto de criarem um clichê. É só ver o terror teen. “Pânico” não seria nada sem clichês! Muitos filmes de terror ficariam com buracos nos roteiros se não houvesse algum tipo de clichê.

A.: Você tem algum artista de terror favorito? Por quê?
C.: Não tenho um “artista de terror favorito”… (pensativa) se chega perto disto, é o Masahiro Ito. Ele é a essência dos primeiros Silent Hill.

A.: Você ficou famosa em 2008 no Zombie Walk com as suas maquiagens. Claramente está muito original, passa muito bem o seu tipo de trabalho. Como você fez essa fantasia?
C.: (risos) Famosa?? Não sabia. Muito obrigada! Essa fantasia foi um projeto para uma matéria que cursei na faculdade – foi o jeito de juntar o útil ao agradável. Não sabia se seria bem aceita pois nem sempre meus trabalhos são bem-vistos na faculdade, mas a maior surpresa nem foi a cara de nojo e horror das pessoas na Zombie Walk, mas os elogios que recebi na faculdade.

É uma mistura de pintura com modelagem, levou 2 meses para ficar pronta e o processo todo está no meu blog.

A.: Para finalizar, alguma músicas para inspiração?
C.: Tori Amos, trilha sonora de todos os Silent Hill.

André Meister é publicitário especializado em Ilustração e Concept Art. Além de escrever ‘O “Eu” Cotidiano’, é editor da editoria de HQ’s & Ilustração do Com limão.

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Especial Terror – Garotas seus acompanhantes chegaram, mas eles estão mortos!

Analisamos Night Of The Creeps. Filme dirigidor por Fred Dekker e que, além de ser um clássico do estilo horror trash, faz referências a vários grandes diretores

Night-Of-The-Creeps

Por Felippe Martins

Durante minha pré-adolescência sempre me imaginei sendo o “herói” do momento. Talvez por nunca ter sido aquele cara “popular”, me imaginava como aquele que derrubaria o império do bonitão e arrogante da classe, salvaria todos de alguma ameaça externa e tomaria a posse da minha musa inatingível.

É claro que com o passar do tempo percebi que isso era apenas uma fase, pois a cada ano havia uma musa inatingível diferente bem como um novo bonitão arrogante e popular para derrubar. Mas mesmo após conseguir ultrapassar esses assuntos, sempre me lembro da sensação que era imaginar esse mundo em que eu salvava e como seria se isso acontecesse.

Em 1986 o diretor Fred Dekker nos presenteou exatamente com essa alegoria. Como seria salvar o dia, detonar o bonitão e ficar com a garota com Night Of The Creeps. Mas Fred Dekker ainda faz mais. Ele simplesmente presta uma homenagem inteligentíssima ao gênero terror com situações e homenagens sensacionais.

A história se inicia no espaço sideral (!) onde em uma nave, alienígenas (interpretados por bonecos de borracha impagáveis) perseguem um segundo alien que roubou um estranho cilindro prateado. Bem, não preciso dizer que esse cilindro de algum modo cai na Terra, mais precisamente na década de 50. Um casal está namorando e encontra o tal cilindro de onde saem lesminhas pretas (!) que pulam em sua boca (!).

Ela, enquanto espera no carro é atacada por um psicopata e morre a machadadas (!).

Após esta introdução fantasticamente trash, somos remetidos ao ano de 1986 onde conhecemos os amigos Christopher Romero (Jason Lively) e J. Carpenter Hooper (Steve Marshall) que querem entrar em uma fraternidade. Reparem que Dekker homenageia os diretores George Romero (A noite dos Mortos Vivos), John Carpenter (O Enigma do Outro Mundo) e Tobe Hooper(O Massacre da Serra Elétrica) com os sobrenomes dos personagens.

Os dois garotos, juntos com Cintia Cronemberg (homenagem ao diretor David Cronemberg de “A Mosca”) interpretada pela linda e maravilhosa Jill Witlow e o policial durão Ray Cameron (homenagem ao diretor James Cameron de “Exterminador do Futuro) interpretado pelo sempre durão Tom Atkins (de Maniac Cop 1), lutarão contra “lesmas-espaciais-parasitas-rastejantes” e uma horda de zumbis antes do baile de formatura!

Night Of The Creeps possui um humor negro impagável. Em certo momento o personagem de Tom Atkins, ao descobrir que o homem que fugira do necrotério era aquele da década de 50, solta a máxima: “O que é isso? Uma investigação policial ou um filme B ruim?”. Auto-paródia genial! Os efeitos especiais são puramente em stop-motion e prostéticos, utilizando até bonecos e muito sangue falso. Os efeitos das cabeças dos zumbis se abrindo e das lesmas saindo é tão tosco que é genial!

Além dos já citados, Dekker presta homenagem a Sam Raimi (de “Evil Dead”) com o Oficial Raimi, à Steve Miner (Sexta Feira 13 parte 2 e 3) com o Sr. Miner e ao diretor John Landis (Um Lobisomem Americano em Londres) com o Detetive Landis. Dessa forma, Fred Dekker mostra seu amor incondicional ao gênero, transformando o filme em uma auto-referência muito divertida ao cinema de horror!

Fred Dekker, que logo no ano seguinte seria o diretor do também ótimo Deu a Louca nos Monstros (The Monster Squad – 1987) sumiu da vida atrás das câmeras após o fiasco com ROBOCOP 3, de 1993. Uma injustiça já que muitos diretores medíocres e sem talento fazem filmes cada vez piores e descartáveis sempre conseguindo financiamento aos seus projetos… Vide Micheal (cof, cof, cof) Bay….

Bem, onde quer que esteja, Fred Dekker, sempre me lembrarei da ótima nostalgia que me causa ao assistir aos seus filmes. E recomendo os leitores do Com Limão que procurem imediatamente assistir Night Of The Creeps, lançado em DVD e Blu-Ray no último dia 27. Um filme divertidíssimo, descompromissado e muito criativo da tão maravilhosa década de 80.

Felippe Martins é escritor, professor e economista. Além de editor de Cinema do Com Limão e cinéfilo inveterado.

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